Como o próprio nome sugere, o Café
Filosófico "das Quatro" é
uma comunidade para se debater temas diversos mas tendo como
tônica a filosofia.
Mas como definir FILSOFIA?
Termos uma definição precisa
da palavra "filosofia" é
impraticável. Tentar formulá-la poderia, de
início, gerar equívocos. Com espirituosidade,
alguém poderia definí-la como "tudo e nada;
tudo ou nada". Melhor dizendo, a filosofia difere das
outras ciências na medida que procura oferecer uma imagem
do pensamento humano como um todo. Na prática, o conteúdo
de informação real que a filosofia acrescenta
às ciências especiais tende a desvanecer-se até
parecer não deixar vestígios. Talvez esse desvanecimento
seja enganoso. Mas devemos admitir que até aqui a filosofia
não tem conseguido realizar suas grandes pretensões.
Tampouco tem logrado êxito em produzir um corpo de conhecimentos
consensual comparável ao elaborado pelas diversas ciências.
Isso se deve em parte, embora não integralmente, ao
fato de que, quando obtemos conhecimento verdadeiro a respeito
de determinada questão situamos essa questão
como pertencente à ciência e não à
filosofia. O termo "filósofo" significava
originariamente "amante da sabedoria", que surgiu
com a famosa réplica de Pitágoras aos que o
chamavam de "sábio". Pitágoras insistia
em que sua sabedoria consistia unicamente em reconhecer sua
ignorância, não devendo, portanto, ser chamado
de "sábio", mas
apenas de "amante da sabedoria".
Filosofia é uma palavra que deriva do grego e significa
"amor pela sabedoria" (filos / sophos).
Pode-se então traduzir o termo "filósofo"
como "amigo da sabedoria"
(amizade no conceito aristotélico). O filósofo
é, portanto, concebido como aquele que busca o conhecimento
puro e não se deixa corromper por sistemas pré-estabelecidos.
Filosofia é o estudo que se caracteriza
pelo objetivo de ampliar incessantemente a compreensão
da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade,
quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras,
o Ser, quer pela definição do instrumento capaz
de apreender a realidade, o pensamento tornando-se o homem
tema inevitável de consideração.
“ ... A caverna, diz Platão, é
o mundo sensível onde vivemos. A réstia de luz
que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz
verdadeira (as idéias) sobre o mundo sensível.
Somos os prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis
que tomamos pelas verdadeiras. Os grilhões são
nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos
e opiniões. O instrumento que quebra os grilhões
e faz a escalado do muro é a dialética. O prisioneiro
curioso que escapa é o filósofo. A luz que ele
vê é a luz plena do Ser, isto é, o Bem,
que ilumina o mundo inteligível como o Sol ilumina
o mundo sensível. O retorno à caverna é
o diálogo filosófico. Os anos despendidos na
criação do instrumento para sair da caverna
são o esforço da alma, descrito na Carta Sétima,
para produzir a "faísca" do conhecimento
verdadeiro pela "fricção" dos modos
de conhecimento. Conhecer é um ato de libertação
e de iluminação.”
Marilena Chauí, em ‘O
mito da caverna’
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