Bilingüismo - Dicas, Dúvidas, Relatos.


Começando tudo de novo?

As dicas que estarei repartindo com vocês aqui são baseadas na minha experiência própria de mãe de dois filhos. Estou vivendo na Alemanha há mais de 8 anos e tenho vivido esse dilema que é integrar os filhos numa nova cultura.

Dicas para os menorzinhos:

1) NÃO FORCE OU INSISTA QUE SEU FILHO FALE PORTUGUÊS! A tendência na criança será, obviamente, se recusar a falar. Controle sua angústia e ansiedade. Procure ajuda em Associações de Pais ou na própria escola e converse com alguém sobre o assunto.

2) Associe alegria e felicidade ao lidar com o Português.

3) Música. Procure acostumar seu filho desde bem pequeno a gostar de ouvir músicas infantis. Músicas brasileiras de qualidade não faltam! No Orkut você tem como encontrar muita coisa para baixar para que seu filho possa ouvir e aprender com você. Clicando aqui vc vai para o link onde TODA A COLEÇÃO de Disquinhos Anos 80, com 57 historinhas, está disponível na Net. Aproveite antes que resolvam tirar do ar!

4) Leitura. Ler em Português para a criança desde cedo é uma das chaves para a mesma associar a língua ao prazer de se ouvir uma boa historinha. Procure manter um ritmo e um horário. Leia antes de dormir ou num outro horário, mas leia sempre.

5) Computador. Sim, no PC existem muitas maneiras de você fazer com que seu filho se interesse pelo idioma. O meu filho aprende com o "Coelho Sabido" desde o "Maternal" (dica valiosa da minha amiga Simone!), agora já comprei o CD "Jardim" e ele faz tudo sozinho, desde ligar o PC e por o jogo pra funcionar. Um máximo de meia hora por dia já faz um bem danado pro vocabulário! Jogos para baixar também estão disponíveis gratuitamente na Net.

6) Conseqüência. Procure delimitar campos de ação com a linguagem e deixar claro que em casa você só fala Português e pronto. Nada de ficar misturando os idiomas "para facilitar" as coisas, pois você acha que seu filho "não entendeu". E não deixe que a criança acabe "forçando" você, através de manha ou birra, a falar o idioma estrangeiro! Seja conseqüente. Mas se você é bilíngüe e fala a língua do país onde vive também, não há problema, continue falando a mesma fora de casa. As relações exteriores não vão influenciar o dia-a-dia dentro de casa mesmo.

7) Respeito. Não permita que seu parceiro ou parceira menosprezem a Língua Portuguesa diante de seus filhos. Não permita que ele ou ela lhe impeça de falar Português em casa! Como se a sua "obrigação" seja a de aprender o idioma do país onde estão vivendo, isso é um absurdo. Se seu parceiro(a) não fala Português e vocês se comunicam num terceiro idioma, isso não é motivo para você não se comunicar na sua língua materna com seu próprio filho... Seja firme e não se deixe humilhar, estar numa situação dessas já é difícil o suficiente e a obrigação do(a) seu parceiro(a) é a de ficar ao seu lado e lhe apoiar!

8) Paciência. Lembre-se: você teve de ficar meses gerando um feto até ele virar um bebê e depois ainda dar a luz ao mesmo. Não vai ser da noite pro dia que seu filho vai falar Português com você, o processo é o mesmo que cuidar de uma plantinha, dar-lhe de beber, adubar a terra pra ela crescer. Perseverança!

É você quem tem de encontrar seu próprio caminho e tomar as suas próprias decisões, entretanto, nem sempre fazer tudo sozinho e sem ajuda de ninguém é sinônimo de acerto quiçá de sucesso. A humildade em se procurar ajuda ou uma dica é o que talvez venha a fazer a diferença. Infelizmente, nem sempre se encontra essa "ajuda" ou essa "dica" e existem muitas pessoas que, normalmente, preferem mesmo não oferecer nada. Não por maldade, mas por desinteresse mesmo, não é todo mundo que se interessa pelos outros e muito menos pelos problemas alheios.

Você ainda tem dúvidas? Clica em "contato" então e me pergunte.

Muita sorte a todos e pé na tábua!

Patrícia.



1 (*) Essa questão da "aquisição rápida da linguagem" se dá, normalmente, quando a criança não possui problemas físicos (surdez, mudez, etc) ou psicoemocionais (dislexia, dislalia, retardamento, etc), e.g. obstáculos extras que a impeçam de ter um contato instantâneo com o novo ambiente, assim comentam muitos profissionais. Apesar de eu ter quase a certeza de que crianças, mesmo deficientes, também sejam capazes de adquirir a nova língua com a mesma rapidez, é tudo uma questão muito particular cujos fatores família-moradia-educação-ambiente influenciam muito.

2 (*) Existe em Pedagogia/Educação uma crença arcaica em se considerar que existem alunos que têm "facilidade para os estudos" e outros que já não têm essa "facilidade" (ou também uma rapidez padronizada e desejada) embutida por natureza (leia o "Modelo de Domínio" segundo Bejanmim S. Bloom).

Texto revisado em Abril de 2007.

 


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