Todos nós temos nosso ponto fraco ou como diria o Millôr, o nosso "calcanhar de aquiles". Falo bonito porque tá na moda ou em voga, como diria a vovó. É, eles falam muito. O chato é que é quase sempre, verdade... Mas o quê fazer então com essa miséria de calcanhar sempre a beira de um ataque de nervos ou duma flechada fatal?? Eu não sei, não me pergunte. A única coisa que sei (mais ou menos, pra ser mais sincera ainda) é que descobri um dos meus calcanhares, isto é, um ponto meu bem fraquinho que me deixa, no mínimo, meio pateta diante dos outros. Sim, porque todos nós temos uma imagem perante os outros saca? E essa imagem, gente do céu, é invariavelmente muito diferente daquilo que pensamos de nós mesmos. Experimente perguntar pro seu amigo mais íntimo o que ele "acha" de ti. Ouça (sem falar ao mesmo tempo né, como daria um faniquito, o meu marido) calmamente e verás por si mesmo. São imagens distorcidas de nós mesmos... Então, já ouvi falarem tanta coisa deuzinha. Aff, nem memorizo muito pra não me confundir mais ainda, sabe como é, cérebro de mulher é de segunda mão, assim como as costelas.Mas o ouvir a opinião alheia tem lá seu lado bom. Um deles é que nos damos conta daquilo que fazemos da nossa imagem e o que acabamos por criar a partir desta, isto é, ficamos de certa forma cientes de que criamos um reflexo imaginário de nós mesmos nas criaturas com as quais convivemos. O mais interessante disso é passar a usar isso no intuito de fabricar descaradamente uma imagem pictórica de si mesmo e cujo reflexo real é praticamente o oposto desta... Confuso? Bom, que tal se eu disser "duas caras"? Não que eu tenha duas caras, não, mas tente entender, para os outros, pode ser que eu tenha outra cara que não a minha mesma!!!! E também não é que eu tenha forçado isso, não, mas acabo de compreender mais conscientemente esse processo humano de uns tempos pra cá. Muita gente não me vê como realmente sou, mesmo as que me conhecem de verdade, vamos dizer assim. Elas idealizam em suas caramiolas o que eu deveria ser ou o que elas acham que gostariam que eu fosse... Obviamente, com o tempo, a única coisa que pode surgir dessa receita mal feita é a decepção. E nada mais horrível que decepcionar-se com alguém (ou alguma coisa) para com a qual você criou laços de carinho ou sentimentos.
E voltando ao calcanhar... Então, no que toca a um dos meus calcanhares é isso, essa minha "fragilidade" me pega nesse ponto. Porque eu sou fraca nesse aspecto acabo parecendo "outra pessoa" para as pessoas que convivo. Não é estranho? Diria um sacerdote: "Como pode a Pati ter fragilidades, ela é uma fortaleza!" ou "Você não sabe lidar com isso, mas como?! Isso não é você" Pois é, saibam da novidade, eu tenho DOIS calcanhares :-P
Quando me casei a Beamte falou tantas historinhas, uma delas foi a mais comprida, onde ela contava sobre as mochilas de dois viajantes. Depois sobre os cabelos brancos, isso contando que nós fiquemos juntos até a velhice (assim espero eu, como toda boa virginiana crédula e pacata). Mas o mais interessante que ela falou foi sobre o mistério que deve permanecer entre um casal. Que jamais devemos deixar que o outro nos desvende totalmente e que esse quê de mistério é uma chave propulsora pro eterno conhecimento e redescobrimento daquele ser que juramos amar até a morte. Eu amo meu marido, mas de verdade mesmo e desde que me casei com ele que aprendi a exercitar o perdão. Uma coisa que nunca soube fazer bem anteriormente na minda vida. É muito difícil perdoar. Mas perdoar de verdade, como Jesus ensinou. Tipo limpar a mesa com perfex e Fläche Reiniger, tirar toda a sujeira e por uma toalha bem limpa e começar tudo de novo... Então, isso é uma barra, mas quando se ama se aprende a perdoar. E no meu relacionamento com ele pareço outra pessoa, pois me adapto em muito a ele. Acho isso necessário, caso contrário, ficaria solteira pro resto da vida, pois com o gênio que tenho não acho que acharia alguém mais paciente e amigo. Nunca havia feito isso com homem nenhum, aha! Tá que eu dei moleza pra qq umd deles, nunca. Fui é muito megera, isso sim. E mesmo assim me amaram, mas eu não soube amar. E agora, amando, vejo o quão estranha me torno. Você me pergunta se ele, o Kaiser, também se adapta a mim? Saiba que sim. E muito. Ele fez e faz muito, acho que faz coisas que nenhuma pessoa fez ou faria por nós. Mas ainda assim nada é perfeito e uma das coisas que nos abala muito é a questão da multi-culturalidade. Se num casamento nacional os problemas do cotidiano já são uma cruz a carregar, imagine você quando as duas pessoas pertencem a hemisférios diferentes...
Daí eu fico pensando se ele também não sofre da "síndrome do espelho" -nomezinho registrado que acabei de inventar pra síndrome do parágrafo 2 deste post- comigo. Será? Será que não fui sincera o suficiente? Dai me vem a cabeça a questão do tal "mistério"... Fora o meu calcanhar frágil e que tento manter, às vezes ingloriozamente, às encondidas... E daí você vê que não é só você que tem problemas!!! Mas uma coisa eu afirmo, não sofro da tal síndrome. É muito difícil mesmo eu me enganar com alguém e quando pensam que me enganam, ledo engano, assim eu deixo pensarem, pois está do jeito que quero. E isso não é ser manipulativa?! Ora se é! Mas não faz mal a ninguém. Pensando bem. Deixa meu calcanhar de lado, deixa eu por meu mistério no baú e cobrir o espelho da sala!









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