Agosto 6, 2004
PRECONCEITO

Ultimamente tenho visto um movimento ambíguo e totalmente equivocado na internet, especialmente nos antros onde brasileiros vivendo no exterior se encontram para dialogar. Bem, nem sempre há realmente diálogo, na maioria das vezes o que era para ser um diálogo se transforma estranhamente em discussões fúteis, xingamentos baixos e há a afloração de personalidades mal construídas, psíquicamente doentes entre outras hediondas anomalias.

O que sempre me chamou muito a atenção, desde o início, foi e é o comportamento daqueles que, já vivendo no exterior há algum tempo e, conseqüentemente, já dominando o idioma local de onde vivem, fazem com aqueles ou aquelas que ainda estão se adaptando ou não conseguiram, depois de mais de 5 anos, por exemplo, aprender nem o básico do idioma para onde emigraram. Preciso também notificar que esse texto e minhas conjunturas se enstendem tão somente ao ambiente da internet, pois pela minha experiência pessoal na vida real as coisas são muito diferentes!

O poder da escrita e da expressão escrita na internet impõe, ao que me parece, psíquicamente, um peso gigante em cima daquilo que consideraríamos "personalidade", isto é, você é aquilo que consegue escrever. Portanto, quem não consegue se expressar em nenhum idioma, nem no seu e nem no que poderia ter aprendido, é geralmente muito mal tratado. Isso nem sempre é uma premissa obrigatória! Já vi casos de pessoas que não aprenderam a escrever o português, portanto, escrevem errado e péssimamente, e sequer sabem alemão, mas que conseguem "entrar pra turma", isto é, são respeitados por outros fatores que não específicamente a maneira como escrevem. Mas essa exceção aqui não me interessa no momento.

O caso mais interessante e que tem a ver com a minha situação específica de estar vivendo na Alemanha é dos descendentes de alemães, geralmente sulistas (ou não) e de ascendência direta, isto é, filhos de alemães ou no máximo netos de alemães. E, mais comumentemente, pessoas de idade abaixo dos 30 anos (apesar de conhecer um caso abismático de uma pessoa que já passou dos 50 e que odeia brasileiros, bem, mais especificamente brasileiras...Mesmo tendo apenas "nascido" no Brasil, o que essa pessoa considera como um erro de percurso...), isto é, praticamente ainda adolescentes e, portanto, com muito a aprender ainda sobre a vida... Mas o que interessa, como sintoma anomalítico, é que eles, já no exterior, tomam uma posição estranhíssima em relação aos compatriotas. Primeiramente, por serem oriundos de estados onde o preconceito racial é ainda muito grande e explícito, expõe esse mesmo preconceito, agora direcionado largamente aos nordestinos e qualquer um que não tenha origens alemãs, de forma confusa e truncada beirando a loucura. Agem de forma preconeituosa antes mesmo de efetuar um possível contato, catalogando a todos os outros brasileiros -aqueles sem raízes alemãs...- como preguiçosos, ignorantes, aproveitadores, negrinhos e negrinhas alforriados "invadindo" a Europa com trajes de samba ou de baiana... Enfim, eles, ao invés de se ocuparem na internet em criar amizades ou ao menos em manter contatos saudáveis, se interessam apenas em invadir esse tais locais de encontro para expor suas mazelas intelectuais e mentais na forma de preconceito e racismo.

Esse comportamento é obviamente o comportamento de uma pessoa totalmente ignorante e sem cultura real, pois qualquer um que tenha realmente freqüentado a escola sabe que o Brasil é um país multicultural e colonizado por EUROPEUS. O que significa primeiramente que quase todo brasileiro possui um pé na Europa. Ora pois, sendo assim, não há nexo nenhum em qualificar ninguém como melhor porque possui um pai ou um avô alemão! É possível que a pessoa alvo do preconceito dos racistas tenha um bisavô holandês ou uma bisavó portuguesa. Tão europeus quanto os alemães. [Derrubamos, portanto, a idéia desses de que eles são mais merecedores de viver na Europa por causa das raízes que possuem, simplesmente porque qualquer brasileiro pode as possuir tranqüilamente na sua árvore genealógica sem saber]. E ninguém é obrigado a consultar árvore genealógica nenhuma para se sentir Europeu ou merecedor (porque me parece que os negros ou índios não podem merecer tal indulgência, o fluxo contrário ainda é tabu) de viver na Europa... Quando leio comentários de mulheres que se dizem "ofendidas" porque não foram consideradas brasileiras por não saberem sambar ou terem a pele morena, bem, quem está sendo ignorante? Obviamente o europeu que não tem mesmo muita consciência do que é o Brasil como raça, mas mais ignorância ainda é a brasileira que se sentiu "ofendida"! Por quê? Todos nós sabemos que a imagem do Brasil no exterior é mesmo o negro que samba. PONTO. A partir daí nos cabe, caso não façamos parte desse grupo diretamente (poque indiretamente é muito possível que 90% possua o "pé na senzala"...), mostrar a riqueza de etnias do Brasil e sua origem como país colonizado, onde o colonizador branco se misturou ao índio e ao negro. E não odiar a imagem da sambista, da baiana, do músico ou do capoeirista... Eles também fazem parte da imagem do Brasil, assim como o descendente de alemão em Gramado e o de Italiano na Mooca.

Outro fator que me surpreende é o que esse mesmo grupo de descendentes (ou não) tenta fazer com aquele grupo que não fala o idioma para onde emigraram. Primeiramente, ninguém é obrigado a aprender o idioma para onde se emigrou, isso é uma constatação moderníssima e possívelmente criada na internet mesmo, onde o fator exibicionista e egoístico das pessoas é aflorado por uma falta total de responsabilidade naquilo que dizem, não é necessário possuir um rosto, mas um nik impessoal e, a partir daí, totalmente livre para dizer o que quiser e sem o medo de ser responsabilizado por isso, aflora-se uma personalidade implacável e que, possivelmente, oriunda de alguém ignorante (mas que se acha culto...), há de propagar mais preconceito ainda anuveando a realidade e impondo uma idéia errônea daquilo que é certo, plausível ou errado. Como dizia Goebels (nazista): "Uma mentira que é afirmada mil vezes tornar-se-á verdade." No Brasil ainda constatamos pequenas colônias de origem alemã, principalmente no Espírito Santo (Pomerânios), onde os imigrantes mais velhos não aprenderam o português!!! Sequer ensinaram aos filhos, esses, tiveram de aprender na escola (quando havia aulas de português) ou também ficaram sem aprender. As missas são até hoje realizadas em alemão (ou no dialeto de origem) e os brasileiros chamados de "Schwarz" (= Negros).

Esses colonos foram para o Brasil na intenção simples de enriquecer e adquirir terras, mas em nenhum momento a intenção foi se integrar... Tanto é que, como disse anteriormente, o idioma brasileiro (se assim me permito identificar) sequer cogitou-se aprender. Eles, de alguma forma, conseguiram apenas através do trabalho atingir suas metas e permanceram em seus guetos sem se aproximar, integrar ou sequer considerar o Brasil como segunda pátria. Permancendo pra sempre com o coração e a mente em seus países de origem. Há certamente os colonos que seguiram caminhos opostos, mas esse não me interessam especificamente nesse meu contexto, todos sabemos que em uma moeda há mais de dois lados... Até hoje existem cidades do Espírito Santo ao Rio grande do sul (passando por colônias russas e do leste-europeu em Mato Grosso, Goiânia e Mato Grosso do Sul) onde o português NÃO é falado! Cidadezinhas onde o brasileiro (!) é visto como invasor ou estranho e chamado de "Negro" (=Schwarz), mesmo que tenha sangue europeu -de qualquer outra origem que não a alemã...

Portanto, é preciso se ter uma idéia global de como se funciona realmente Emigração e Migração nos países colonizados e colonizadores e vice-versa! Há espelhos de ambas as situações vividas por emigrados e imigrantes de ambos os lados. É o alemão que no Brasil não se deixa integrar (apesar de ser visto com um certo respeito pelo brasileiro comum, afinal sua intenção foi trabalhar ---!!!---) e vive em seus guetos e o alemão que vai para o Brasil até já falando algo de português, se casa com uma brasileira, tem filhos e se integra perfeitamente ao país, adquirindo-o pra si como uma Segunda Pátria. E assim há os brasileiros que não se integram no exterior (por vontade ou imposição do sistema ou por falta de força de vontade, cansaço, derrotismo, ETC) e os que se integram com mais facilidade. Entretanto, o brasileiro que vai para o exterior apenas com a função de trabalhar é visto, muitas das vezes, com maus olhos pelos próprio compatriotas, seja no Brasil ou no exterior!!! Uma visão totalmente oposta daquela que temos pelos imigrantes estrangeiros no Brasil que, como já disse, vieram apenas para usufruir e explorar o país!!! Portanto, o brasileiro é duas vezes preconceituoso para com o seu próprio irmão do que para com um estrangeiro.

Adaptar-se e integrar-se não é moleza nenhuma e compreendo perfeitamente a dificuldade que uma pessoa, possuidora de menos bagagem cultural, possa vir a enfrentar. Mas isso é constatação sem base real, pois o que mais vejo são pessoas de origem humilde no Brasil a se integrar à realidade Européia (ou norte-americana), às vezes, até com maior facilidade do que uma pessoa supostamente culta. Essas podem até sofrer mais devido ao alto nível de expectativas que impõe a si mesmas. Portanto, tudo é uma questão inevitável de individualidade e jamais uma questão ampla ou generalizante onde o pré-julgamento se faça verdadeiro. Quem já está julgando um compatriota como relaxado, preguiçoso, oportunista ou mal-caráter por estar no exterior não está sendo apenas preconceituoso, mas maléfico para com o sistema e a si mesmo. Ele está a cortar com maçarico um buraco no próprio navio... Assim como aquele brasileiro que julga um compatriota no exterior como "ignorante" ou "inferior" simplesmente porque este não fala o idioma para onde emigrou... Ora veja, será que ele sentiria o mesmo ao ver os alemães no Brasil que sequer se consideram brasileiros?!

Derrubados os dois preconceitos básicos de origem (qualquer brasileiro pode possuir tranqüilamente sangue europeu!!!) e idioma (não se é obrigado ou é premissa se aprender o idioma para onde se e/imigra, ao contrário, é uma concepção moderna -e saudável - encarada como "aconselhável" por alguns governos preocupados com o bem-estar de todos, pois guetos sempre serão origem de conflitos) podemos ver as coisas mais claramente, não? Que nada, ainda existem páginas de preconceitos profundamente enraízados que exercitamos diáriamente contra nós mesmos e nossos compatriotas... A única saída, na minha opinião, é ter consicência plena de si mesmo e do mundo, pois sem isso não há como se manter uma personalidade livre de preconceitos. E todos nós temos e sempre haveremos de ter...

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Hallo, bin Patrícia aus Brasilien und erzähle ich hier ein bißchen von mir und meinem Leben. Wohne in Deutschland seit ungefähr 3 Jahren und bin Flugbegleiterin von Beruf. Bin verheiratet und Mutter 2 Söhne (3 und 13 Jalt). Zur Zeit lerne ich die deutsche Sprache weiter, weil ich gern lerne und weil in Zukunft möchte ich damit arbeiten.

Das ist ein 'Zweisprachiges Tagebuch' und die Sprachen, die hier verwendet werden, sind Portugiesisch und Deutsch. Wenn Sie entweder Port. oder Deutsch nicht verstehen können, bitte, Verzeiung aber das ist ein Experiment. You can send me an email in english, no problem.

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