Ontem fomos à Reunião da Primeira Comunhão na Igreja aqui próxima de casa. Lá fui eu e meu marido, mãos dadas, passos compassados a caminho da Igreja. Ventinho fresco, céu limpo e estrelado, o caminho limpo e azulado. Um clima maravilhoso que, por mim, poderia permanecer o ano inteiro sem maiores reclamações ^_^
Lá chegando, já um pouco atrasados, encontramos a sala cheia, mas nos sentados no círculo já preparado. Sim, só agora, com 12 anos, Bernardo vai finalmente fazer a Primeira Comunhão. Não fez antes, pois viemos pra cá e não houve tempo hábil de realizar no Brasil, o que talvez, dependendo da Igreja, poderia demorar mais de um ano. E só faz agora, pois agora ele fala alemão, ora bolas.
A reunião rolou numa boa até o momento "freaky", onde o Pastor resolve perguntar a cada um dos pais o desejo de cada um em relação à Igreja etc. Cada um respondendo e eu, calmíssima, logo realizei uma frase digna de nota 10 na síntese de um texto: "Espero que meu filho, com vossa ajuda, possa encontrar Deus dentro de si mesmo..." Veja bem, larguei o meu Latim em alemão... Putz grila, no segundo anterior à minha fala meus cabelos se arrepiaram, meu estômago estremeceu, uma reação engraçadíssima, coisa de "sala de aula". Tá, admito, não fosse Sócrates e Platão essa frase não teria me ocorrido, mas foi muito melhor que enveredar por caminhos tortuosos do não-sei-exatamente-o-quê-dizer-e-só-falarei-abobrinha, como fez a segunda mãe do círculo...
Ela divagou demais e não disse nada, coisa que acho triste. Misturou o lance do Ato de Contrição (confissão dos pecados) com o curso, tá, tem tudo a ver com o curso, mas não é o básico. Enfim, a Confissão é a parte mais importante da Primeira Comunhão, ela é quem celebra a contrição e consagra o católico a receber o corpo e o sangue de cristo, mas deve ser encarada com tranqüilidade e não com pavor. É difícil para uma criança compreender o sentido de "Pecado", eu bem me lembro da minha dificuldade em entender. Mas acho que aí quem salvou o bolo foi minha mãe mesmo, sem ela eu não teria terminado a Primeira Comunhão, mas não sei explicar mais como foi que tudo aconteceu, só sei que um belo dia lá estava eu na confissão e depois na Igreja me consagrando com meus amigos.
O momento mais interessante, entretanto, foi o encontro com uma conhecida da escola anterior de Beno. Ela chegou mais atrasada que nós e, portanto, vi quando ela chegou e ela, me olhando também neste momento, fez o "contato", garças a Zeus, um contato sorridente. Mas ela sempre está sorrindo... Parece que o rosto está sempre assim, é tão estranho... Enfim, ao sairmos, ela se sentiu meio que forçada (?) a falar comigo, não sei, sei lá, só a vi falando comigo, mas olhando meu esposo :-)
- Dá um tempo...
Buenas, daí, naquele vácuo de segundo onde saco o clima e espero a bendita pergunta, larga ela um torpedo: " Por que seu filho não fez a Comunhão antes?!?!" É, tive de responder, mas obviamente num estilo bem sintético :-) Coitada, eu vi que era nervoso, sabe, nem todo mundo tem a facilidade para iniciar um conversa sem pisar na jaca, assim também acontece comigo. Mas que ficou bem incômodo pra ela, ficou, pois uma pergunta idiota dessas não merecia mesmo uma resposta tão curta e bem elaborada da minha parte. Ave.









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