Nessa busca pelo Ustinov acabei dando de cara com uma das livrarias que fizeram parte da minha vida, a Leonardo da Vinci. Acho que todo carioca que se preze tem de conhecer a Da Vinci, ora pois? Escondida no sub-solo do Ed. Marquês do Herval na Rio Branco, a Da Vinci é como um oásis literário multilingüista num oceano de mediocridade tupiniquim. Lá se encontra aquele livro que não existe em nenhum outro lugar do Rio de Janeiro, acredite. Depois de dar uma "cheiradinha" nos livros (nem sempre se visita uma livraria na intenção de comprar nada, só dar uma espiadinha e folhear alguns livros incompráveis já faz um bem danado) era dar uma esticadinha na Rio Branco e traçar um joelho num botequim na esquina da São José ou dar um pulo ao McDonald's da São José, traçar aquele Quarteirão com Queijo, batata-frita e coca cola, hummmmm. Saudade =)
E o que há lá na Leonardo? No segundo andar há o Baú da Leonardo, um canto com livros antigos a preços mais em conta. E em frente à Leonardo (ou Da Vinci), umas duas lojas à esquerda, encontrava-se o Sebo "Beringela"! Não sei se existe mais. Fora o Beringela havia mais um, no mesmo sub-solo, mas não me recordo o nome desse, nunca fui lá. Só sei que no Beringela havia uma quantidade boa de livros usados e antigos, só nunca perguntei se eles faziam troca. Enfim, o Rio de Janeiro é um polo de leitura no Sudeste e só não ler quem não quer mesmo.
Agora mudando de assunto...
Um diálogo real:
Estava eu saindo de casa em direção ao supermercado quando encontro, na porta da casa, um casal de vizinhos...
- Oi, boa tarde!
- Olá Frau Weber! Boa tarde. (falam em uníssono, os vizinhos)
- Ah, Frau Weber, o quê vocês cozinharam ontem a noite?! (franzindo a cara todinha fazendo-a parecer-se com uma Ameixa roxa cozida, e torcendo o nariz para à direita, a ponto do olho direito ficar fechado)
- Eu, nada, quem cozinhou ontem foi meu marido... (respondendo por pura curiosidade, pois eu não tinha obrigação nenhuma de responder coisíssima nenhuma e já preparando meu sarcasmo em ambos os caninos)
- Por quê?! (pergunto eu com um tom entre o cinismo, a teatralidade e a piedade)
- Ah, porque ontem já eram umas 10 da noite e tivemos de abrir "sei lá o quê" por causa do cheiro da comida! (ambos presunçosamente achando que o tal "cheiro" veio, obviamente, do vizinho mais próximo, EUZINHA aqui... Quem pergunta é a esposa do vizinho, num tom que a gente vê em filmes de hollywood...)
- 10 horas da noite?! Ninguém cozinha há essas horas na minha casa! Jantamos às 6 e no máximo às 8 da noite, além do mais, ontem meu marido cozinhou mais cedo, pois às 8 iríamos asssistir ao "Mein Dicker Peinlicher Verlobter"! Portanto, não tenho a mínima idéia do que vocês estão falando. (curta e grossa)
- Oh, que coisa! Risinhos histéricos
- Oh, oh, oh! Risinhos sem graça (do marido, coitado)
- Ah, até mais Frau X und Herr X, preciso sair agora! Tenham um bom dia!
- Ah, ja, Bom dia.
Nenhum dos dois sequer pediu desculpas pelo ABUSO de se dirigirem a mim já me considerando CULPADA por alguma coisa... Sinceramente? Quanto mais anti-social melhor, pelo menos "sofro" esse tipo de absurdo, no máximo, uma vez por ano. Pra minha capacidade mental e tolerante já é um exagero.









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