Especialmente pra você...
Conceber uma criança nos dias de hoje não é uma decisão simples. Principalmente se essa gravidez foi "inesperada". A gente sabe que esse termo meio que não existe, toda mulher tem consciência de si, ao menos aquelas que tiveram um pouco de educação. É simples, a gente meio que não acredita que vá engravidar assim fácil. Mas só os óvulos sabem de si, que merda ;)Eu tinha 18 anos quando fiquei grávida pela primeira vez. Foi uma loucura na minha vida. Da noite pro dia minha adolescência acabou e a partir daquele momento ganhei outro título: mãe. Não estava casada, estava apenas noiva e, naquele momento específico, praticamente decidida a não seguir adiante com aquela loucura. Já sabia que o homem no qual havia me apaixonado não era o homem certo pra mim. Eu não o amava por completo e o "click" genial não tinha ocorrido. O que havia era uma obssessão dele por mim. Só.
Meus estudos foram prejudicados. Tive de ficar pulando de casa de sogra pra casa de mãe, pois não tínhamos nem como ter, na época, uma casa só pra nós, isto é, virar de vez uma família. Nenhum lado, nem o meu e nem o dele, mexeram um parafuso que fosse para nos ajudar. Parentes próximos fazendo de tudo para nos separar e Bernardo nasceu nesse furacão. Nasceu sem um quartinho de bebê só pra ele, arrumadinho, dormiamos no memo quarto com minha cunhada e, às vezes, com meu cunhado, lá em Porto Alegre. Tive o Bernardo no Rio, onde ele tinha um berço e outras coisas suas, mas acabamos indo pra família do pai do Bernardo, pois no Rio não havia condições mais. Apesar de na casa da minha mãe termos um quarto só pra nós e tudo mais. Tive de abandonar tudo, o bercinho, minhas coisas, tudo, e me mudar com um bebê de 6 meses para a gelada Porto Alegre. De alegre, a minha estadia por lá, não teve quase nada. Inferno.
Eu pensei em aborto? Claro! Com repugnância e desespero pensei sim, e os meus estudos, o meu futuro?! Tudo acabado.
Muitos anos horrorosos se passaram até que eu decidi voltar de vez para o Rio e abandonar as garras do obssesso. E ali, solteira e mãe, resolvi recomeçar minha vida. Meu pai (distante) e minha mãe sempre me ajudaram financeiramente, mas emocionalmente ambos ficaram devendo. E uma nota de cem reais não cura depressão, tristeza incontrolável, desespero e vontade de se matar. Talvez sirva pra limpar a bunda.
Fui trilhando bem devagar e me acostumando com essa idéia de ser mãe. Quantas alegrias não tive com o pequeno Bernardo! Aprendi a ser mais gente com ele. Hoje posso dizer: me arrependo de ter sequer pensado em aborto. Afinal, como matar a confirmação viva do climax vivendis que se originou em mim?! Como matar a mim mesma?
Uma vez, na rua onde morava, já tinha passado das 11 da noite, quando uma mulher (moradora de uma dos quarteirões pobres da rua mais acima) bem jovem teve seu bebê SOZINHA lá no meio da rua. Descemos, eu e o pessoal do prédio, com os gritos para ver o que ocorria. Meu amigo, Márcio, de repente vem com o bebê sujo de sangue nos braços. Louro que só ele e alto feito uma porta com aquele bebê recém-nascido negrinho e sujo nos braços. Tirou a própria blusa para proteger o bebê do frio da noite. A mãe trouxeram ensangüentada para dentro do prédio, fazia frio. Chamaram ambulância, mas um vizinho da vila ao lado acabou levando mãe e bebê para a Maternidade mais próxima. A ambulância demoraria demais! Essa foi uma das experiências mais aterrorizantes e belas da minha vida.
No fundo, é assim. A mulher e seu bebê estão completamente sozinhos na calada da noite [e na vida] e ele há de nascer, mesmo que no meio da rua. Portanto, se você tem um marido e uma família que já lhe acolhe e ajuda, por favor, considere antes de pensar em abortar. Acho que dar o bebê, logo que nasce, para a adoção é mais digno. Pelo menos está se respeitando a vida de ambos. Aqui na Alemanha já cansei de ver mães matando, a facadas, os próprios filhos (desde bebêzinhos recém-nascidos até crianças de 1 a 8 anos de idade ou mais velhas), mulheres morando em casas enormes e com dinheiro, com marido, família, etc. O quê dizer disso? Loucura, solidão, demonização. Uma coisa é certa: não há desculpa para o aborto. No estupro e no caso de bebês com doenças sérias congênitas acho uma opção (desumana), mas considerável, pois evitaria-se assim a tortura de uma vida miserável para uma mulher despreparada [e desamparada]. Muitas preferem até ter esses filhos, mas acho que a mulher, nesses casos, deveria ter o direito de optar, e com respaldo total. Se esse não é o seu caso. Pare e pense.
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Leitura Online:
Kafka's "Metamorfose" (Die Verwandlung) - Clique pra ler em alemão.









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