Os respeitáveis senhores aí da foto, holandeses, repare no cabelo e na roupa, poderiam ser aqueles senhores respeitáveis, do passado, que foram elaborando, catalogando e guardando o tesouro da língua portuguesa. Claro, quando eu falo de "etimologia da palavra" e depois "língua portuguesa" pode ser que você me veja fazendo confusão, pois aprox. 90% das palavras do idioma português vêm do Latim (assim diz a lenda), portanto, a etimologia vai buscar a origem da palavra lá donde ela se originou mesmo. Portanto, pode ser que a origem venha do Latim, do Grego, do Alemão, do Árabe e por aí vai. O Português é o idioma neo-latino com mais palavras de origem árabe, assim também diz a lenda =)Esse é um assunto tão fascinante que existem pessoas que só vivem para fazer isso: pesquisar a origem das palavras! Precisam falar várias línguas, óbvio, e serem (quem sabe) uns "Indiana Jones" da vida, sempre buscando um livro valioso perdido nos quatro cantos do mundo, poético, não? E muitas dessas [abençoadas] criaturas, como o Márcio Bueno, conseguem lançar seus livros de pesquisas no mercado brasileiro, proporcionando assim, ao nosso idioma abrasileirado, toda sorte de curiosidades, esclarecimentos e cultura! Garças a Zeus ainda existem poliglotas na face da terra ^__^ Imagine que chato todo mundo falando grego :-P
Mas antes de você achar que vai entender esse post, por favor, saiba que o que vou postar tem lá um fundo de reflexão ;) Não vou estar discutindo aqui a "veracidade" da origem da palavra [quem soi moi!], mas discutindo a "origem" do vocábulo, entendeu? Nós fazemos parte de uma cultura ocidental baseada em pilares culturais desenvolvidos de acordo com o pensamento ocidental, de acordo com a Filosofia Greco-Romana, enfim, de acordo, principalmente, com as visões que nós, ocidentais, temos das coisas. Isso parece tão bonito né não? =) Mas se a gente parar um pouquinho para "enxergar" as coisas será que não vamos achar coisas esquisitas e até escrotinhas? O tal do Sócrates disse que ele "não sabia nada", pois quem sou eu para saber alguma coisa! Entretanto, a gente não pode se fazer de tábua rosa o resto da vida, pois existem considerações, pensamentos e opiniões que possuimos, e muitos desses são alicerces das nossas virtudes, que foram baseadas, acima de tudo, no nosso idioma e na cultura que ele nos oferece! Portanto, seja mais curioso com aquilo que você anda falando por aí, vai ver você nem tem a mínima "clue" donde vem essa coisa...
Palavra: "ASSASSINO"
Em suas origens o termo nada tinha a ver com o atual significado de "matador" ou "homicida". Queria dizer simplesmente "consumidor de haxixe" O vocábulo provém do Persa, língua em que haxixe [maconha] era chamado de hashish, ou hashash, e o consumidor, de hashishin, ou hashashin.Esses termos apresentam nos diversos dicionários grafias diferentes, que correspondem a diferentes transcrições do árabe, segundo convenção adotada pelos vários lexicógrafos. A extensão de significados, que deu em "matador", provém das lutas religiosas entre seitas dissidentes dos seguidores de Maomé.
Depois da morte de Maomé, começou a batalha entre os que se diziam califas, título do chefe supremo dos muçulmanos ("califa" vem de uma palavra árabe que significa "sucessor"). Essas lutas é que dividiram os muçulmanos em diversas correntes, como são os casos dos xiitas ismaelitas e dos sunitas. Hassan ibn al-Sabbah, conhecido como "O Velho da Montanha", que dominava o topo de uma montanha no norte da Pérsia (atual Irã), declarou guerra aos sunitas turcos. Ele treinava suicidas conhecidos como "fedains" [aqueles que se sacrificam] para matar os "hereges".
Para executar a pessoa indicada pelo "Velho da Montanha", o fedain tomava um preparado inebriante de haxixe e, após a consumação do assassinato, geralmente com um punhal, ficava imóvel e sorrindo, de acordo com os relatos da época, sendo em seguida linchado pela multidão. Havia a crença de que, depois da morte, o fedain seria conduzido ao Paraíso, onde haveria flores, frutas, fontes e mulheres irresistíveis [como está no Alcorão]. A corrente muçulmana do "Velho da Montanha" ficou conhecida também como Seita dos Assassinos, termo que passou por outros idiomas antes de chegar ao nosso, já com o significado de "homicida".
Um dos primeiros registros da palavra na língua portuguesa data do Século XVI: "Alguns juristas, e vulgarmente, chamão assassinos aos que por dinheiro, e rogo d'outrem, matão alguem." [ Frei Diogo do Rosário, em Summa Caietana, citado por J.P. Machado -NA]
Palavra: "CANIBAL"
Vem de caribe, ou cariba, que na linguagem dos tainos, etnia indígena das Antilhas, já extinta, significa "valente, audaz". Na primeira carta que escreveu aos reis de Espanha, Cristóvão Colombo referia-se aos índios da região ora como caríbales, ora como caníbales.Alguns autores acreditam que tenha sido erro de leitura da letra do descobridor - a letra "r" - teria sido lida como "n". Outros acham que, como Colombo estava se reportando a grupos que considerava ferozes, a segunda forma foi intencional, decorrente de uma fusão de "can" [cão] com caribas.
O caníbal dos espanhóis, que passou para o português como "canibal", aos poucos passou a denominar os índios que tinham o costume da antropofagia, fugindo totalmente do significado original, de povo valente e destemido.
Aproveitando a deixa, cito alguns trechos do livro do Eduardo Bueno "Brasil: uma história".
Do capítulo "O Banquete Antropofágico":
1."O prato principal: a vingança era o objetivo primordial do ritual antropofágico praticado pelos grupos Tupis que habitavam o litoral do Brasil. O costume causou espanto e horror entre os exploradores e colonizadores europeus."
2."A deglutição eucarística: os requintes tétricos do banquete antropofágico se revelaram um prato cheio para os ilustradores europeus do Século XVI. A gravura abaixo foi feita por de Bry, com base nos desenhos do livro de Hans Staden que esteve no Brasil em 1550." [Claro, tinha que ter um alemón na história ;)]

Bem, não é à toa que eu digo "que mordo" ;) Afinal, com ascendetes canibais dos brabos não há como eu me afastar muito da árvore genealógica =) Tem um ditado em alemão que diz: "A maçã não cai longe do tronco..." ou em alemón: "Der Apfel fällt nicht weit vom Stamm ". Meus camaradinhas, SOMOS TODOS CANIBAIS! hehehehehehehe [viajando na maionese] Vou dormir, chega de usar o cérebro, preciso usar outras partes do meu corpo.
JACKIE MÃE DO ERIK! Atualizei seu link pro meu blog guria =) Tava tudo erradis. Hoje parei lá para dar uma olhada e achei vc mui filosófica ;) Beijosnoherz!!!!
FONTES:
+Marcio Bueno - "A origem curiosa das Palavras" [José Olímpio]
+Eduardo Bueno - "Brasil: uma História" [Editora Ática]
+John R. Hale - "Zeitalter der Entedeckungen" [Time-Life Bücher, Amsterdam]









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