Agosto 7, 2004
Veritas odium parit...

Ontem, conversando ao Messenger com Eduardo (dudu), trocamos algumas idéias a respeito do post anterior que escrevi. Apesar de eu racionalizar muitas das minha idéias nesse blog, a maioria delas está sempre em mutação, nada do que afirmo aqui permanece ad infinitum...

E aproveite que tô tirando meu latim do armário ;-) Então, conversa vai, conversa vem, acabei dizendo que acho essa idéia de raça no Brasil a coisa mais sem nexo do mundo. Como pode um país com nativos oriundos da Ásia, colonizado por europeus, cujos mesmos trouxeram negros da África e árabes do oriente e depois mais e mais ondas de imigrantes da Europa, Japão e outras partes do mundo, todos se misturando entre si há décadas, querer ter UMA RAÇA ou sequer várias??? Sinceramente, beira o ridículo. A radice o Brasil é um caldeirão de raças e, portanto, é no mínimo incoerente determinar cantões e guetos de A e B. No Brasil isso não existe desde o princípio (poderia adicionar aí um "Ab ovo", mas você já ia pensar que eu enlouqueci de vez).

Daí o Eduardo me faz conhecer um texto muito interessante de um tal de Diogo Mainardi. Admito que o nome não me arrepiou cabelo, mas quando ele citou que o mesmo foi convidado a ocupar o lugar de Arnaldo Jabor no Manhattan Connection, bem, algo começou a cheirar. Primeiro porque para alguém sequer ser cogitado como substituto do Jabor, bem, tem de ser foda! E lá fui eu ler ad litteris et verbis Mainardi... Simplesmente dei altas gargalhadas ao lê-lo, ria alto às 2 da manhã, pois o indivíduo falava (expondo alguma base científica, e é sempre bom ter alguma base científica quando se fala, assim você parece mais sabichão e fodão) quase tudo aquilo que penso a respeito de Zumbi, Negros, Brancos e Cor-de-abóboras no Brasil... Allure!

Não sei se posto o texto aqui. Fiquei puta da cara porque os textos do mané são fechados apenas para o grupo seleto de assinantes da Veja. Tá bom que eu vou assinar a Veja para lê-lo. NÃO MESMO! Ele que se torne popular e mais conhecido, caso contrário, que continue sendo acessível a uma meia dúzia de gatos pingados. Nem os vídeos do MC a globo libera no Mediacenter. Não há nenhum mais e o único que havia com o tal Mainardi foi tirado do ar. Muito polêmico? Censura? Só Zeus saberá.

Ontem também, por acaso do acaso, conheci o Alexandre e esse ainda me fez ficar mais algumas horas online, grudada ao monitor literalmente comendo-o com os olhos e a mente. Que banquete!

Ainda não achei mulher que escrevesse assim, isto é, com essa fúria masculina, esse teor implacável, certeiro, sem culpas e sem pudor. Minto, acho que a Laetitiae, tirando algumas coisas as quais não concordo, poderia se enquadrar no tipo, mas a Frau Mio é a que mais se aproxima em conteúdo, isso quando ela se mexe para dar a opinião (coisa raríssima e ocasionada apenas a poucos abençoados, como eu) e a aí a única solução é ouvir quieta e aprender. Aliás, com os amigos se aprende muito e se ensina muito também, como eu já disse uma vez, amizade é troca, você tem que dar E receber. Esse lance de neguinho ficar só dando o rabo sem receber porra nenhuma em troca, nem um mero "valeu seu rolha", é coisa de dependente emocional. E como eu sou dada, ora bolas, gosto de receber.

Mas chega de papo furado que ainda estou digerindo a Feijoada de ontem (ééééééééééééé) em todos os sentidos... :-)

Um sol maravilhoso por aqui, garças a Zeus!!!! Tirei fotos de alguns quadros novos, irei postar em breve. Minha mãe me mandou o Código Da Vinci, chegou hoje, mas só irei ler quando terminar a Comédia. Sempre leio vários livros ao mesmo tempo, mas incrivelmente estou com livros demais!!! E eu suplicando noutro post por ajuda... Com medo de ficar sem nada pra ler... Veja você... Litigare cum ventis.

Patricia.



       Agosto 6, 2004
PRECONCEITO

Ultimamente tenho visto um movimento ambíguo e totalmente equivocado na internet, especialmente nos antros onde brasileiros vivendo no exterior se encontram para dialogar. Bem, nem sempre há realmente diálogo, na maioria das vezes o que era para ser um diálogo se transforma estranhamente em discussões fúteis, xingamentos baixos e há a afloração de personalidades mal construídas, psíquicamente doentes entre outras hediondas anomalias.

O que sempre me chamou muito a atenção, desde o início, foi e é o comportamento daqueles que, já vivendo no exterior há algum tempo e, conseqüentemente, já dominando o idioma local de onde vivem, fazem com aqueles ou aquelas que ainda estão se adaptando ou não conseguiram, depois de mais de 5 anos, por exemplo, aprender nem o básico do idioma para onde emigraram. Preciso também notificar que esse texto e minhas conjunturas se enstendem tão somente ao ambiente da internet, pois pela minha experiência pessoal na vida real as coisas são muito diferentes!

O poder da escrita e da expressão escrita na internet impõe, ao que me parece, psíquicamente, um peso gigante em cima daquilo que consideraríamos "personalidade", isto é, você é aquilo que consegue escrever. Portanto, quem não consegue se expressar em nenhum idioma, nem no seu e nem no que poderia ter aprendido, é geralmente muito mal tratado. Isso nem sempre é uma premissa obrigatória! Já vi casos de pessoas que não aprenderam a escrever o português, portanto, escrevem errado e péssimamente, e sequer sabem alemão, mas que conseguem "entrar pra turma", isto é, são respeitados por outros fatores que não específicamente a maneira como escrevem. Mas essa exceção aqui não me interessa no momento.

O caso mais interessante e que tem a ver com a minha situação específica de estar vivendo na Alemanha é dos descendentes de alemães, geralmente sulistas (ou não) e de ascendência direta, isto é, filhos de alemães ou no máximo netos de alemães. E, mais comumentemente, pessoas de idade abaixo dos 30 anos (apesar de conhecer um caso abismático de uma pessoa que já passou dos 50 e que odeia brasileiros, bem, mais especificamente brasileiras...Mesmo tendo apenas "nascido" no Brasil, o que essa pessoa considera como um erro de percurso...), isto é, praticamente ainda adolescentes e, portanto, com muito a aprender ainda sobre a vida... Mas o que interessa, como sintoma anomalítico, é que eles, já no exterior, tomam uma posição estranhíssima em relação aos compatriotas. Primeiramente, por serem oriundos de estados onde o preconceito racial é ainda muito grande e explícito, expõe esse mesmo preconceito, agora direcionado largamente aos nordestinos e qualquer um que não tenha origens alemãs, de forma confusa e truncada beirando a loucura. Agem de forma preconeituosa antes mesmo de efetuar um possível contato, catalogando a todos os outros brasileiros -aqueles sem raízes alemãs...- como preguiçosos, ignorantes, aproveitadores, negrinhos e negrinhas alforriados "invadindo" a Europa com trajes de samba ou de baiana... Enfim, eles, ao invés de se ocuparem na internet em criar amizades ou ao menos em manter contatos saudáveis, se interessam apenas em invadir esse tais locais de encontro para expor suas mazelas intelectuais e mentais na forma de preconceito e racismo.

Esse comportamento é obviamente o comportamento de uma pessoa totalmente ignorante e sem cultura real, pois qualquer um que tenha realmente freqüentado a escola sabe que o Brasil é um país multicultural e colonizado por EUROPEUS. O que significa primeiramente que quase todo brasileiro possui um pé na Europa. Ora pois, sendo assim, não há nexo nenhum em qualificar ninguém como melhor porque possui um pai ou um avô alemão! É possível que a pessoa alvo do preconceito dos racistas tenha um bisavô holandês ou uma bisavó portuguesa. Tão europeus quanto os alemães. [Derrubamos, portanto, a idéia desses de que eles são mais merecedores de viver na Europa por causa das raízes que possuem, simplesmente porque qualquer brasileiro pode as possuir tranqüilamente na sua árvore genealógica sem saber]. E ninguém é obrigado a consultar árvore genealógica nenhuma para se sentir Europeu ou merecedor (porque me parece que os negros ou índios não podem merecer tal indulgência, o fluxo contrário ainda é tabu) de viver na Europa... Quando leio comentários de mulheres que se dizem "ofendidas" porque não foram consideradas brasileiras por não saberem sambar ou terem a pele morena, bem, quem está sendo ignorante? Obviamente o europeu que não tem mesmo muita consciência do que é o Brasil como raça, mas mais ignorância ainda é a brasileira que se sentiu "ofendida"! Por quê? Todos nós sabemos que a imagem do Brasil no exterior é mesmo o negro que samba. PONTO. A partir daí nos cabe, caso não façamos parte desse grupo diretamente (poque indiretamente é muito possível que 90% possua o "pé na senzala"...), mostrar a riqueza de etnias do Brasil e sua origem como país colonizado, onde o colonizador branco se misturou ao índio e ao negro. E não odiar a imagem da sambista, da baiana, do músico ou do capoeirista... Eles também fazem parte da imagem do Brasil, assim como o descendente de alemão em Gramado e o de Italiano na Mooca.

Outro fator que me surpreende é o que esse mesmo grupo de descendentes (ou não) tenta fazer com aquele grupo que não fala o idioma para onde emigraram. Primeiramente, ninguém é obrigado a aprender o idioma para onde se emigrou, isso é uma constatação moderníssima e possívelmente criada na internet mesmo, onde o fator exibicionista e egoístico das pessoas é aflorado por uma falta total de responsabilidade naquilo que dizem, não é necessário possuir um rosto, mas um nik impessoal e, a partir daí, totalmente livre para dizer o que quiser e sem o medo de ser responsabilizado por isso, aflora-se uma personalidade implacável e que, possivelmente, oriunda de alguém ignorante (mas que se acha culto...), há de propagar mais preconceito ainda anuveando a realidade e impondo uma idéia errônea daquilo que é certo, plausível ou errado. Como dizia Goebels (nazista): "Uma mentira que é afirmada mil vezes tornar-se-á verdade." No Brasil ainda constatamos pequenas colônias de origem alemã, principalmente no Espírito Santo (Pomerânios), onde os imigrantes mais velhos não aprenderam o português!!! Sequer ensinaram aos filhos, esses, tiveram de aprender na escola (quando havia aulas de português) ou também ficaram sem aprender. As missas são até hoje realizadas em alemão (ou no dialeto de origem) e os brasileiros chamados de "Schwarz" (= Negros).

Esses colonos foram para o Brasil na intenção simples de enriquecer e adquirir terras, mas em nenhum momento a intenção foi se integrar... Tanto é que, como disse anteriormente, o idioma brasileiro (se assim me permito identificar) sequer cogitou-se aprender. Eles, de alguma forma, conseguiram apenas através do trabalho atingir suas metas e permanceram em seus guetos sem se aproximar, integrar ou sequer considerar o Brasil como segunda pátria. Permancendo pra sempre com o coração e a mente em seus países de origem. Há certamente os colonos que seguiram caminhos opostos, mas esse não me interessam especificamente nesse meu contexto, todos sabemos que em uma moeda há mais de dois lados... Até hoje existem cidades do Espírito Santo ao Rio grande do sul (passando por colônias russas e do leste-europeu em Mato Grosso, Goiânia e Mato Grosso do Sul) onde o português NÃO é falado! Cidadezinhas onde o brasileiro (!) é visto como invasor ou estranho e chamado de "Negro" (=Schwarz), mesmo que tenha sangue europeu -de qualquer outra origem que não a alemã...

Portanto, é preciso se ter uma idéia global de como se funciona realmente Emigração e Migração nos países colonizados e colonizadores e vice-versa! Há espelhos de ambas as situações vividas por emigrados e imigrantes de ambos os lados. É o alemão que no Brasil não se deixa integrar (apesar de ser visto com um certo respeito pelo brasileiro comum, afinal sua intenção foi trabalhar ---!!!---) e vive em seus guetos e o alemão que vai para o Brasil até já falando algo de português, se casa com uma brasileira, tem filhos e se integra perfeitamente ao país, adquirindo-o pra si como uma Segunda Pátria. E assim há os brasileiros que não se integram no exterior (por vontade ou imposição do sistema ou por falta de força de vontade, cansaço, derrotismo, ETC) e os que se integram com mais facilidade. Entretanto, o brasileiro que vai para o exterior apenas com a função de trabalhar é visto, muitas das vezes, com maus olhos pelos próprio compatriotas, seja no Brasil ou no exterior!!! Uma visão totalmente oposta daquela que temos pelos imigrantes estrangeiros no Brasil que, como já disse, vieram apenas para usufruir e explorar o país!!! Portanto, o brasileiro é duas vezes preconceituoso para com o seu próprio irmão do que para com um estrangeiro.

Adaptar-se e integrar-se não é moleza nenhuma e compreendo perfeitamente a dificuldade que uma pessoa, possuidora de menos bagagem cultural, possa vir a enfrentar. Mas isso é constatação sem base real, pois o que mais vejo são pessoas de origem humilde no Brasil a se integrar à realidade Européia (ou norte-americana), às vezes, até com maior facilidade do que uma pessoa supostamente culta. Essas podem até sofrer mais devido ao alto nível de expectativas que impõe a si mesmas. Portanto, tudo é uma questão inevitável de individualidade e jamais uma questão ampla ou generalizante onde o pré-julgamento se faça verdadeiro. Quem já está julgando um compatriota como relaxado, preguiçoso, oportunista ou mal-caráter por estar no exterior não está sendo apenas preconceituoso, mas maléfico para com o sistema e a si mesmo. Ele está a cortar com maçarico um buraco no próprio navio... Assim como aquele brasileiro que julga um compatriota no exterior como "ignorante" ou "inferior" simplesmente porque este não fala o idioma para onde emigrou... Ora veja, será que ele sentiria o mesmo ao ver os alemães no Brasil que sequer se consideram brasileiros?!

Derrubados os dois preconceitos básicos de origem (qualquer brasileiro pode possuir tranqüilamente sangue europeu!!!) e idioma (não se é obrigado ou é premissa se aprender o idioma para onde se e/imigra, ao contrário, é uma concepção moderna -e saudável - encarada como "aconselhável" por alguns governos preocupados com o bem-estar de todos, pois guetos sempre serão origem de conflitos) podemos ver as coisas mais claramente, não? Que nada, ainda existem páginas de preconceitos profundamente enraízados que exercitamos diáriamente contra nós mesmos e nossos compatriotas... A única saída, na minha opinião, é ter consicência plena de si mesmo e do mundo, pois sem isso não há como se manter uma personalidade livre de preconceitos. E todos nós temos e sempre haveremos de ter...


       Agosto 5, 2004
Die göttliche Komödie...

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Não me lembro se já falei que fiz finalmente um cartão da Biblioteca aqui perto de casa para mim e Bernardo. Enfim, tem sido ótimo, pois vocês estão carecas de saber que eu sou viciadíssima, sim sou, admito, como livros... Sei lá, cada qual com sua "Sucht". Essa é a minha. Quando era garota queria um livro só por que "achei bonito", nem sempre lia, mas com o tempo e a idade (aff) acabei descobrindo um baita prazer nisso: ler.

A Biblioteca é ótima, tem de tudo. Hoje levei Leozinho para assistir ao Bilderbuchkino (Leitura de Livro Infantil) que tem toda quinta. Só foi ele mesmo, mas a dona resolveu ler assim mesmo. Ele agüentou firme quase até o fim, respondia e falava participando ativamente do "Abenteuer" (=aventura), faltavam 3 páginas para terminar o livro, mas daí ele começou a levantar e a dona resolveu terminar a "seção" sem concluir a leitura... Sei lá, no fundo, quem ficou babando para saber o fim da história fui eu, PODE??? Mas a alemã robótica estava lá se lixando pra isso, fazia apenas o seu trabalho. Os alemães são assim na maioria, fazem apenas o que lhes cabe, nada mais. Bom, pelo menos eles fazem, pior se não o fizessem.

Acabei pedindo o livro da Leitura (que não pertencia à essa filial, mas a outra, portanto, não pude pegar o livro) à uma das atendentes, que muito cordial, até puxou papo comigo. Todo mundo se espanta quando digo que estou aqui não faz nem dois anos e já "falo alemão"... Ora bolas, mas não é pra falar desde que chega pô?! Sei lá, não gosto de passar por E.T., mas também acho que isso não é nada de mais! Bom, sou uma pessoa da comunicação e não me dou outra opção a não ser continuar como sou. Tornar-me uma eremita muda num país estranho seria como no Inferno... E é assim que já me senti inúmeras vezes, um sentimento pavoroso e inexplicável que só os estrangeiros sem o pleno domínio do idioma do país onde vivem já experimentaram. Um horror. Ao menos para aqueles que necessitam de independência emocional e física para continuar vivendo.

O último livro que adquiri aqui (agora com o cartão não pretendo mais comprar nenhum, diga-se de passagem! Só em emergência mesmo) foi a Divina Comédia de Dante. SIM, em alemão! Minha professora me olhou com cara de taxo quando lhe disse :-) Ahhh, mas como eu gosto de surpreender os outros... É tradição. E não é que estou adorando! Existem palavras que nem no dicionário acho, daí pergunto ao Kaiser mesmo, afinal, ele é um dicionário ambulante. Estou no Sexto Canto, onde, pela primeira vez, ele fala de Francisca... É lindo. Vou postar um trecho, em alemão, que adorei. Ainda o estou tentando traduzir (estou procurando na net tb, vai ver existe tradução já feita), mas é de uma beleza incrível:

Vierter Gesang

Zu mir der gute Meister: "Du erfragst nicht,
Wer diese Geister sind, die du erblickest?
Jetzt sollst du wissen, ehe du weiter gehest,
Daß sie nicht Sünder waren, und doch gnügte
Nicht ihr Verdienst, weil sie der Taufe entbehren,
Was ja ein Satz des Glaubens, den du glaubest,
Und da sie vor dem Christentume lebten,
Ward Gott von ihnen würdig nicht verehret,
Und so bin ich von diesen selber einer.
Durch diesen Mangel, nicht durch andres Böse,
Sind wir verloren und so weit nur leidend,
Daß ohne Hoffnung wir in Sehnen leben."
Gewaltiger Schmerz ergriff mich, als ich's hörte,
Weil Männer ich von hohem Wert erkannte,
In dieser Vorhölle ungewiß verharrend...


Nota: espero um dia poder ler em português, pois certamente deve ser de uma beleza muito maior! O original é em italiano, uma língua irmã.

A bela tradução do site acima citado:

“Conhecer” — meu bom Mestre diz — “não queres
Quais são os que assim vês ora sofrendo?
33 Antes de avante andar convém saberes

“Que não pecaram: boas obras tendo
Acham-se aqui; faltou-lhes o batismo,
36 Portal da fé, em que és ditoso crendo.

“Na vida antecedendo o Cristianismo,
Devido culto a Deus nunca prestaram:
39 Também sou dos que penam neste abismo.

“Por tal defeito — os mais nos não mancharam —
Perdemo-nos: a pena é desesp’rança,
42 Desejos, que para sempre se frustaram”.

Ouvi-lo, em dor o coração me lança,
Pois muitos conheci de alta valia,
45 A quem do Limbo a suspenção alcança.

Ó SUSANA...

Já que pintou curiosidade, vamos às apresentações! A pintura da patiplate chama-se "Susana e os Anciãos" de Guido Reni (1600-1642). É uma pintura que condena a ignorância preconceituosa.

A história fala de uma heroína Judia, Susana, que é surpreendida no banho por dois velhos juízes (muito safados por sinal!), os quais tentam a todo custo chantageá-la para que se deite (chacachacanabuchaka pra ser mais exata) com eles.

Susana exibe o oposto da religiosidade superficial: enfrenta seus perseguidores com a indignação dos inocentes. Não vê motivo para medo, pois confia em Deus e na própria integridade.

Achei o tema e a pintura lindos, inspiradores. Por isso está aqui, para ser apreciada e entendida. A pintura pertence ao período Barroco. E também porque a Susana tem os traços bem parecidos com as mulheres da família, fora o temperamento ;-)


       Agosto 4, 2004
SUPERMERCADO AUTOMATIZADO? JAWOHL!

Semana passada fomos às compras e quando na fila fui tomada por uma visão avassaladora... À minha esquerda observei uma fila esquizita, pois não havia uma Caixa do supermercado a organizar a fila e os produtos, era uma fila sem Caixa. Deixei aquilo de lado, tinha de pegar outro Kaba de morango.

Quando retorno à fila lá vem o Kaiser me fazer piada, ele sempre inventa de contar uma graçinha quando quer mostrar algo inusitado, um palhaço! Ele diz: "olha, será que eles aceitam euro falso lá?" Ouvi aquilo e não vi sentido, a ficha não tinha caído. Conversa vai, conversa vem, finalmente percebi que a tal fila era de pessoas a fazer compras no melhor estilo SELF-SERVICE! Mas self mesmo, do início ao fim! Numa fila indiana perfeita, todos organizados, como é de praxe aqui, e fazendo o pagamento (por enquanto só através de cartão) numa máquina tipo de caixa-eletrônico. Havia apenas um gerente a orientar em caso de dúvida.

Essa visão futuresca (futuro + dantesca) me deixou de cabelo em pé! Meu Deus, se hoje em dia, onde a automação já não é historinha da carochinha, mas uma realidade paupável, já é difícil se arranjar um emprego, mesmo que seja um primeiro emprego, imaginem daqui há alguns anos quando praticamente TUDO estiver automatizado!!!!!!!! Uma visão do inferno, penso eu. É o próprio homem cavando a própria cova. Sinceramente, não vejo mais futuro para o trabalho de caixa de supermercado na Alemanha. Vai desaparecer bem rápido assim como desapareceu o de frentista por aqui... Entretanto, acho que um brasileiro lendo isso deve pensar que vivo noutro planeta. Não, essa é a realidade daqui.

MULHERES...

Eu não sei exatamente o que uma mulher sente ao tentar humilhar uma outra, pois não faço isso com freqüencia. Geralmente se preciso humilhar ou magoar alguém, cruz credo, meto o dedo na ferida sem dó, pois detesto mulherzinhas metidas à besta (vindas do ralo ou do vinho), as que se acham as "salvaguardoras do universo" (só Deus sabe o que se passar entre as quatro paredes mal oxigenadas desse tipo de cérebro...) e, principalmente e acima de tudo, aquelas que acham que sabem alguma coisa e que a partir desta precária presunção intelectual, tentam convencer os outros de sua sapiência, apesar de que precisam necessáriamente humilhar os outros para se sentirem superiores. Essas são seres dantescos, caricaturas humanas desprezíveis, detentoras do meu desprezo profundo.

Alguém sábio não precisa ficar exibindo indecentemente sua sapiência e sequer humilhar o menos conscientes para ensinar. Quem sabe mesmo sequer tem tempo ou necessidade de ficar "catando piolhos" em bunda de vaca, esse está a fazer algo de produtivo para o mundo e não só pra si mesmo... A partir deste meu parâmetro consigo ver de longe aquele tipo de gente sacana, onde o pseudo-sábio, na tentativa de mostrar sua sapiência, inclui no diálogo aquele jeito de acariciar batendo. É o tipo de pessoa que te daria um beijo e em seguida um soco na cara, apenas com a intenção de "ajudar". Desse tipo de maluco e maluca quero absoluta distância. Fique longe você também de gente assim, são vampiros.

Sempre me dei melhor com a ala masculina. Meus melhores amigos de escola eram meninos e tive poucas gurias com as quais mantenho e mantive um contato saudável, sem as intermináveis "guerrinhas podres femininas" de vaidade, inveja, presunção e exibição. Elas sempre me cansavam a beleza por serem desprezíveis, vazias, incultas e metidas (sem que tivessem sequer qualquer tipo de qualidade excepcional que as fizessem melhor do que ninguém, diga-se de passagem), enfim, mulherzinhas chatas e cansativas e completamente sem assunto. Esses tipinhos inseguros não conseguem manter diálogo algum, pois num dado momento percebem o quão são fúteis e superficiais, daí o pavor toma conta e elas precisam "fugir" do que se pretendia uma amizade.

A Ana tem mania de dizer (já disse prela que é um mantra negativo e talz...) que amizade tem "prazo de validade". Sei lá, ainda discordo, não sou Poliana (vaderetro!), mas acho que tudo depende de si mesmo, e isso começa na escolha daqueles com quem se quer manter contato. Esse é o mistério, eis a salvação!!!


       Agosto 3, 2004
Flügel...

Olá você! hehehehehehe

E aí, como vai, tudo bem? Pois é, aqui está tudo indo muito bem. Sol, calor e suor pra variar :-) Tenho novidades pra contar, ainda bem! Acho que finalmente encontrei um curso bonzinho pra cursar enquanto não vem o da Volkshochschule, o qual apesar de já ter ouvido dizer ser meia-boca ainda é, talvez, uma boa opção pra mim sim. Enfim, vou assim experimentando e aproveitando. Oder? Então, esse que fui hoje gostei muito, a Professora, russa, tem lá um método pra ensinar e, apesar de um pouco de acento na dicção, consegui tirar muito proveito da aula. As meninas (só tem mulher) também todas já falam e têm conhecimento de alemão, além de escreverem, coisa que naquele outro curso nem rolava, lembra? Pois é, ao menos nesse me sinto num curso de verdade, fora a infraestrutura do local que é excelente. Há também Kinderbetreung o que é essencial pra mim como mãe, aliás na Vhs também há. Só falta arranjar um Kinderfahrradsitz (cadeira de bebê para bicicleta...aff, quanta palavra!) e tudo melhora ainda mais, já andei caçando uns no Flohmarkt do jornal por preços inacreditáveis, aliás, essa é outra vantagem aqui na Alemanha. Você encontra uma cadeira nova na loja por 80 a 100 euros e uma semi-nova (parecendo nova e com pouco uso!) por 10 euros!!! É uma maravilha.

Clicando na imagem você pega um Wallpaper que fiz com a Anjinha de Asas de Letras ou "Buchstabenflügelengelchen" :-) Tomara que ela ilumine seu desktop assim como ilumina o meu aqui.

Bernardo está um "Rentner" (aposentado...) como diz o Kaiser, um verdadeiro Eremita, não quer sair (só quando tem de ir pro curso de férias) de casa, não tem saco nem pra pentear o cabelo e só quer saber do jogar game ou ver tv o dia inteiro (se eu deixar, claro!), estou começando a me descabelar. O moleque só tem 12 anos. Sei lá, acho ele tão assim "tô nem aí". Gente, eu com 12 era uma pilha! Será que isso é normal???


       Agosto 2, 2004
"SÍNDROME DE TÂNTALO"

Esse é nome para o que sofre a Mulher Moderna. Pra quem não sabe, Tântalo era filho de Zeus e da ninfa Pluto. Tântalo era meio chegado à fofoca e contava tudo o que se passava no quarteirão VIP da Grécia, o Olimpo, para a mortalhada curiosa... Acabou sendo banido para o Inferno e lá impelido a sofrer eternamente a tortura escabrosa de viver faminto e sedento, mas repleto de comida e água à sua volta. O problema era que ele jamais conseguia alcançar a comida para matar sua fome ou a água para lhe matar a sede!

A mulher atual se impele a tal sofrimento na busca insandecida da boa forma ou do "peso ideal". Não, não se coçe, eu também tenho a mesma síndrome, porém, nunca mui latente devido ao meu eterno estado adomercente :-) Se preguiça para fazer dietas tivesse um nome esse seria o meu! Após uma severa dieta que passei jurei nunca mais me submeter a tal tortura de novo. Eu geralmente, por mero defeito de fabricação, tenho a mania de cumprir o que digo...

Mas curiosamente agora associei o rabo à bunda feminina em questão, ou seja, a nossa :-) Tântalas varonis, libertem-se um pouco e se deixem apaixonar pela Muqueca do maridão, pela banana no pé ou pelo Aipim coberto por uma mateiguinha derretida! Lembrem-se, nem pela gula e nem pelo tantalismo fanático.

FALA KAIAPÓ!

O menino chorou. - Inkué piuntué.

Os meninos choraram. - Iakokô piuntué inkué.

Matei um jacaré. - Tinuiá intókócúme.

Já descobri a origem do "CUMÉ" ou "CUMÉQUIÉ" ;-) Entre outras coisas... Deduza lendo acima... Descubra se estiveres em dia com a oxigenação cerebral :-)

Brasileiro, um idioma muito maneiro :-)


       Agosto 1, 2004
DIVINDADE X HUMANIDADE

Quando escrevi o texto contestando a pura divindade de Jesus, imposta pela Igreja Católica no Concílio de Nicaea (325DC), não pensei que isso pudesse ser entendido como "busca de nacionalidades"... Nada a ver! O texto exemplifica minha idéia de que Jesus era sim mortal, ponto. Meu exemplo (talvez mal colocado) em relação à nacionalidade do meu filho foi, penso eu, mal interpretado.

Nacionalidade é algo que se adquiri... Eu posso muito bem amanhã requerer minha nacionalidade alemã. Espero alguns meses e pimba, lá circularei eu pela Alemanha com passaporte vermelho. Mas e daí? Eu SEMPRE serei brasileira, não importa a cor de meu passaporte. Nacionalidade também se adquiri por nascimento e algumas pessoas acabam nascendo com até mais de uma nacionalidade, por exemplo, os filhos de casais de nacionalidades diferentes. Dependendo do país, como na Alemanha, de repente, ele nem tem o direito de adquirir a nacionalidade do país onde nasceu (!), caso os pais, estrangeiros nesse caso, não vivam no país há mais de 8 anos consecutivos... Enfim, esse é um assunto complexo para quem não entende nada sobre ele.

O exemplo que Eduardo deu da brasileira messalina (sic) que se casa com um holandês e se manda pro Havai grávida e cujo filho, nesse caso, adquiri a nacionalidade havaiana e não a brasileira ou holandesa (sic) é pura fumaça de oposição :-) A criança, com certeza, poderá, futuramente, adquirir tanto a nacionalidade brasileira quanto a holandesa... Ele será um ser multi-cultural, entretanto (!), é como disse a Ciça, se essa criança nascer no Havai e depois for criada na Rússia, ainda assim é possível afirmar que ele ou ela será pra sempre brasileiro-holandês, pois essas foram as origens sangüíneas de pai e mãe que ele ou ela herdou... Não importa a língua que fale ou a cultura onde cresceu. Isto estará impresso pra sempre em seu corpo físico e meta-físico. Mesmo que a própria pessoa já crescida, sabe-se lá o porquê, deseje a todo custo arrancar essa herança de sangue. E tem muitos que tentam, mas em vão.

Portanto, o que afirmei, apesar da balbúrdia confusa de opiniões, continua valendo, isto é, não importa o motivo, Jesus sempre será metade homem. E é nesse homem que se encontra a metade onde todos nós -humanos e imperfeitos- deveríamos usar como exemplo. É muito mais lógico ter Jesus Homem como exemplo do que um ser Divino, não mortal e impassível de erros... Quem de nós mortais será capaz de almejar a perfeição de um Deus? Nenhum de nós.

Mas isso abre uma porta perigosa para a Igreja, pois, se Jesus era um homem (mortal), ele deve provavelmente ter vivido como um homem... Isso abre as tais especulações de que ele se uniu verdadeiramente à Maria Madalena (que NUNCA foi prostituta coisíssima nenhuma, pelo contrário, alguns a consideram como uma seguidora ou até mesmo uma Apóstola mulher de Jesus, dado sua importância, leia a Bíblia, onde aparece nos momentos cruciais da vida Dele) e poderia sim ter procriado, aliás, procriar é uma das emendas da Santa Igreja! Alguns dizem que os padres foram impedidos de se casar (o que era permitido no início) por causa do impacto financeiro que essa conduta causou à Igreja. Entretanto, que eu saiba, na Igreja Evangélica, os padres podem ter família. O que me importa é simples: Jesus era gente. Ponto.

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Hallo, bin Patrícia aus Brasilien und erzähle ich hier ein bißchen von mir und meinem Leben. Wohne in Deutschland seit ungefähr 3 Jahren und bin Flugbegleiterin von Beruf. Bin verheiratet und Mutter 2 Söhne (3 und 13 Jalt). Zur Zeit lerne ich die deutsche Sprache weiter, weil ich gern lerne und weil in Zukunft möchte ich damit arbeiten.

Das ist ein 'Zweisprachiges Tagebuch' und die Sprachen, die hier verwendet werden, sind Portugiesisch und Deutsch. Wenn Sie entweder Port. oder Deutsch nicht verstehen können, bitte, Verzeiung aber das ist ein Experiment. You can send me an email in english, no problem.

Ein bißchen von mir:
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Olá a todos! Reabri o Blog e agora ele será bilingüe. O escopo agora é dar asas à essa personalidade multifacetada e deixar que as línguas, sintomas dessa esquizofrenia lingüística, fluam em paz assim como ocorre normalmente na minha cabeça. Qualquer dúvida ou pergunta, por favor, envie-me um email. Obrigada pela sua visita e volte sempre que decidir voltar, mas venha trazer-me harmonia, por favor..

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