terça-feira, 1 de dezembro de 2009 às
12:05
Saint Seiya – A Saga Guarani (fic, cap. 8)
Saint Seiya – A Saga Guarani
Capítulo 8 – O homem mais próximo de deus
Em um entardecer de inverno, alguns anos atrás, nevava intensamente naquela região montanhosa da Áustria. O verde tentava sobreviver ao frio, mas contavam-se nas mãos as espécies que se mantinham firmes com o fim de mais um rígido janeiro.
O garoto seguia sozinho por uma estrada entre os montes. Murmurava mantras budistas enquanto caminhava chutando a neve, que cobria até a metade de suas canelas. Aproximadamente na metade do caminho o garoto reconheceu algumas vozes, que vinham de trás e chamavam por ele. Virou-se, já se desviando da pedra arremessada contra a sua cabeça. O projétil ainda não havia tocado o chão quando vários socos atingiram o menino, que caiu rapidamente.
– “O homem mais próximo de deus”?! De que adianta o mestre lhe chamar assim se eu posso derrubá-lo tão facilmente?! – o agressor zombou. Era um rapaz aparentemente um pouco mais velho, a julgar pela barba mal-feita e o corpo bem mais desenvolvido e musculoso do que o de seu alvo.
O menino passou a mão pela boca, limpando o sangue no canto dos lábios, e se levantou em silêncio.
– Que é?! Vai ficar calado? Você é um covarde!
Em seguida, o rapaz puxou o menino pelos ombros e desferiu uma forte joelhada em sua barriga, jogando-o no chão mais do que um metro adiante. O rapaz se aproximou, se abaixou e, com um soco de cima para baixo, afundou a cabeça do garoto na neve que cobria o chão, deixando-o semiconsciente. Foi embora rindo e xingando, ignorando os riscos que o outro corria naquela situação, embora não fosse sua intenção matá-lo.
Minutos se passaram até que o garoto finalmente conseguiu se sentar. Seu rosto estava muito gelado e ele piscava sem parar os olhos, que ardiam muito. Enquanto uma mão pressionava a barriga, muito dolorida por causa do golpe que recebera, a outra servia de apoio no chão. De repente, cuspiu sangue e voltou a ficar tonto. Já ia afundando a cabeça novamente na neve quando foi puxado pelo colarinho. O garoto arregalou os olhos e achou incrível o brilho da armadura dourada que revestia o corpo do homem diante dele. Mesmo assim desmaiou.
O menino abriu os olhos novamente. Estava em um lugar absolutamente branco e radiante. O chão, plano e liso, e o espaço ao seu redor pareciam se expandir infinitamente. Ele se espantou ao perceber que já não sentia dor e nem estava tonto, porém, se assustou mais ainda ao notar que um homem acabara de surgir alguns metros à sua frente.
– Qu-quem é você? – perguntou gaguejando ao recém-chegado.
O homem aparentava ter uns 18 anos e estava flutuando em posição de meditação budista, usando apenas um traje típico indiano. Seu longo cabelo loiro tremulava suavemente pelo ar e seus olhos mantinham-se fechados sob uma expressão serena.
– Eh... Eu perguntei quem você é! – o garoto gritou, impaciente.
– Eu sou Shaka e venho do Santuário de Atena.
– Shaka...?
– Sim. E você é quem chamam de “o homem mais próximo de deus”, certo?
– Sim – o garoto respondeu –, mas meu nome é...
– Por que o chamam assim? – perguntou, cortando a fala do menino.
– Porque eu sou a pessoa mais desenvolvida espiritualmente.
– A pessoa mais desenvolvida espiritualmente?!... A que nível? Do mundo inteiro?!
– Isso! Meu mestre que me contou. Ele disse também que mandou uma carta pro Santuário para falar sobre mim. Ei, você disse que é do Santuário! Então, veio me ver?
– Sim, eu vim com essa finalidade. Mas acredito que houve um equívoco nestas terras remotas.
– Equívoco? Por quê?
– Eu fui informado de que encontraria aqui o aspirante a cavaleiro que vem sendo chamado de “o homem mais próximo de deus”.
– É isso mesmo! Eu sou essa pessoa!
– Você?! Você não pode ser considerado um aspirante a cavaleiro de Atena, garoto. O seu cosmo e sua coragem são ínfimos demais para merecer ser chamado assim.
O menino olhou com surpresa para o homem. Afinal, vinha acreditando há algumas semanas que assim que os monges do Santuário soubessem sobre sua evolução espiritual o levariam para a Grécia, onde ele seria muito bem tratado. Via na carta que seu mestre enviara sua grande chance de se livrar de seus companheiros de treino, sempre tão cruéis com o garoto pelo simples fato de ele o ser o preferido do mestre, apesar de que fosse também o mais fraco entre os aspirantes a cavaleiros que conviviam ali.
– Eu o vi apanhando daquele outro jovem... Você nem mesmo tentou se defender. Por quê? – o homem lhe perguntou.
– Porque se eu tentasse me defender ele acabaria me batendo mais.
– Como tem certeza disso?
– Eu tentei me defender nas outras vezes e ele sempre me atacava depois com mais raiva e força.
– E, então, agora você simplesmente não se defende mais? Permite que ele bata em você com tanta indiferença? Realmente podia-se perceber sua frieza diante das investidas daquele sujeito. Por um lado, vejo em você uma grande capacidade de manter sua mente em tranquilidade mesmo quando diante de situações adversas. Mas não é apenas isso o que se espera de um cavaleiro de Atena: um cavaleiro de verdade nunca aceitaria sua derrota sem usar todas as suas forças contra o oponente e nunca abaixaria a cabeça assim. A covardia não tem espaço entre os homens consagrados cavaleiros.
– Eu sei... Mas, segundo meu mestre, apesar de eu ser fraco de corpo, graças à minha capacidade espiritual poderei me tornar um religioso do Santuário. Quem sabe um dos monges que ajudam os necessitados que vivem ali nos arredores. É isso o que serei.
– O seu mestre lhe disse isso?!... O treinamento para se tornar um cavaleiro é muito árduo, garoto. Se você quer ser um monge, por que continua treinando assim?
– Por quê? – o menino faz uma longa pausa, pensando sobre o assunto. – Eu não sei...
– No fundo você tem esperança, não é? Esperança de despertar uma força enorme dentro de si, não?
– Talvez... Por que acha isso?!
– Não é preciso ler mentes para descobrir certas coisas... Se você sonha em despertar esse poder, por que não luta por isso? Por que aceita tão facilmente sua inferioridade diante de um adversário?
– Porque se eu sou a pessoa mais desenvolvida espiritualmente... Para que sofrer tanto tentando intensificar meu cosmo e me tornar mais poderoso?
– Entendo... Você já possui o título de “o homem mais próximo de deus”. Isso é o bastante para você, certo?
– Sim, eu estou satisfeito com isso. Então, não quero me sacrificar muito tentando ser forte também.
– Você é um garoto bastante incomum. Tão jovem e já adquiriu um estado tão profundo de iluminação como o Satori (Compreensão)... Qual é o seu nome mesmo?
– Asterion! – respondeu, orgulhoso.
– Asterion, é compreensível que se orgulhe com o título de “o homem mais próximo de deus”. Mas esse título é uma blasfêmia criada por seu mestre prepotente.
– O quê?! – o menino exclamou.
– Seu mestre julgou que pelo simples fato de você ter atingido tal nível dentro do Budismo você teria se tornado a criatura com o maior desenvolvimento espiritual. Mas, Asterion, eu lhe digo que não. Todos os servos de Atena que habitam no Santuário, e eu acreditava que todos os servos que não moram lá também estivessem incluídos, sabem que “o homem mais próximo de deus” é o guardião do sexto templo zodiacal. Seu nome é Shaka, o cavaleiro de ouro de Virgem – disse. Sua expressão já não demonstrava tanta tranquilidade.
– Shaka?!... Cavaleiro de ouro?!... Então, você...?!
– Asterion, você realizou um enorme feito ao atingir o nível espiritual do Satori (Compreensão), mas cometeu um erro maior ainda ao utilizá-lo apenas para fins práticos. O que você fez com esse enorme dom? Se especializou em ler mentes. Pode ter sua utilidade, é verdade, mas não chega aos pés do que poderia fazer se tivesse tido a orientação correta e percebido as inúmeras possibilidades que existem diante de você. Entenda... Eu não sou capaz de ler mentes, mas meu desenvolvimento espiritual é tão amplo e profundo que me sinto em constante contato com toda a natureza e as dimensões que coexistem paralelamente ao nosso mundo. Além disso, garoto, expandi o meu cosmo de forma extraordinária e hoje sou um dos cavaleiros de elite de Atena. Ah, e, como pode notar, você nem ao menos consegue ler meus pensamentos.
– Você percebeu?! – Asterion, que estava realmente tentando invadir a mente de Shaka, falou com espanto.
– Escudos psíquicos. Não quero qualquer desqualificado entrando na minha cabeça.
Asterion não podia acreditar que aquilo em que ele mais tinha se desenvolvido, aquilo que seu mestre falou que era seu único talento aproveitável para o Santuário... Até naquilo havia alguém muito superior a ele. O menino caiu de joelhos. Seu olhar desacreditado se mantinha fixo no chão brilhante.
– O senhor não tem nenhuma dificuldade para impedir que eu leia sua mente, então, não há nada que eu possa fazer, cavaleiro de ouro, pois esta é minha única habilidade. Se veio para me matar por minha presunção, eu aceito o meu destino. Diante do senhor eu não sou nada.
Shaka desfez sua posição de meditação, colocou seus pés no chão e caminhou lentamente em direção ao garoto.
– Eu não vim para matá-lo, Asterion. Vim a mando do Grande Mestre para analisar o jovem sobre o qual o Santuário ouviu dizer que era o novo “homem mais próximo de deus”. Queríamos saber se esse indivíduo merecia tal designação.
– Agora o senhor já sabe que não – Asterion disse com firmeza. Seus olhos marejavam.
– É verdade, você não é digno de ser conhecido assim. Mas o fato de seu mestre ter se revelado arrogante e incompetente não significa que você tenha que seguir pelo mesmo caminho que o dele. Se você não queria expandir o seu cosmo por supor que seria suficiente ser “o homem mais próximo de deus”, acredito que agora que você se livrou desse fardo poderá treinar como os demais. O desenvolvimento do seu cosmo somado ao Satori (Compreensão) certamente o tornará um guerreiro fundamental para o exército de Atena.
O menino arregalou os olhos.
– O senhor acha mesmo?! Acha mesmo que eu posso me tornar um bom cavaleiro?! – Asterion perguntou reerguendo seu rosto descrente do que acabara de ouvir.
– Sim – Shaka respondeu esticando a mão para ajudar o garoto a se levantar.
– Então, eu vou dar tudo de mim nos treinamentos! Vou me concentrar em conseguir a armadura de Cães de Caça e lutar ao lado dos cavaleiros de Atena, senhor Shaka – disse, emocionado ao aceitar a ajuda do cavaleiro de ouro e se erguer.
– Se você o fizer, com certeza se tornará um adversário temido pelos inimigos – disse, ao que se seguiu um breve momento de silêncio em que a sobrancelhas finas do cavaleiro de ouro revelaram certa inquietação.
– O que foi, senhor Shaka? Parece incomodado com algo...
– Não é nada com o que se preocupar agora. Bom, já cumpri minha missão aqui e devo partir, Asterion. Preciso retornar para o Santuário. Espero vê-lo em breve lá com sua armadura de prata – falou e, em seguida, virou-se de costas para o garoto, caminhando normalmente.
– Senhor Shaka!
– Sim? – Shaka respondeu, parando e olhando para Asterion por cima do ombro esquerdo.
– Se eu expandisse o meu cosmo tanto quanto o seu, será que seria tão forte quanto o senhor?
– É muito improvável que um cavaleiro de prata se torne tão poderoso quanto um de ouro e, ainda que você consiga tal proeza, só será um adversário apto a me enfrentar até que eu use minha técnica mais poderosa.
– Sua técnica mais poderosa!?
– Sim, o Tenbu Hourin (Tesouro do Céu). Mesmo enfrentando um adversário do meu nível, quando utilizo esta técnica elimino completamente as chances de ele me derrotar.
– Mesmo um adversário do seu nível?!... Uma vez meu mestre falou que todos os cavaleiros de ouro estão no mesmo nível de poder. Mas se você possui essa técnica... Você é o cavaleiro de ouro mais poderoso?
– Mesmo nível de poder?! É apenas outra tolice de seu mestre, Asterion. Porque quando é necessário eu me torno sim o cavaleiro mais poderoso – Shaka disse e continuou a caminhar. Foi desaparecendo gradativamente em pleno ar, até que o que restou ao redor de Asterion era apenas aquela imensidão branca.
– Shaka de Virgem... Quanta imponência!
Quando despertou, Asterion estava no mesmo lugar em que fora atacado pelo colega de treinamento. Antes que pudesse supor que o seu encontro com um cavaleiro de ouro fosse apenas um simples sonho, percebeu que estava envolvido por um manto branco de um lado e azul do outro que o mantinha aquecido mesmo sob aquela tempestade de neve.
“Esse calor é do cosmo de Shaka... O homem mais próximo de deus. Ele me salvou.”
(fim do cap. 8)
Obs 1: uma pausa nos combates para inserir algumas informações do passado.
Obs 2: demorei a decidir o título do capítulo, mas me lembrei que o título deve representar, em síntese, o capítulo. Então, optei pela expressão que tanto se repetiu nele. :)
Obs 3: obrigado a todos os que estão acompanhando a história! Comentários e críticas serão MUITO bem-vindos!!
Obs 4: "Saint Seiya – A Saga Guarani" é um fanfic, ou seja, é baseado em personagens/séries já existentes. No caso, a série e personagens de ponto de partida é Saint Seiya, criação de Masami Kurumada.
Raios de Sol!!
Schuabb *Apolo(Douko)*
sábado, 14 de novembro de 2009 às
05:40
Saint Seiya – A Saga Guarani (fic, cap. 7)
Saint Seiya – A Saga Guarani
Capítulo 7 – Os guerreiros intocáveis
– Então, você é o “homem ideal para me enfrentar”? – o hospedeiro de Teju Jagua comenta, usando as palavras de Marangatu com ironia, enquanto Asterion observa seus companheiros, divididos em duplas, entrarem nos túneis que levam à Yvy Marã.
– “Homem ideal”?! Foi isso o que Marangatu disse, mas eu não acho que seja bem assim. É verdade que eu tenho técnicas que serão bem convenientes para lhe derrotar, mas, muito além disso, eu tenho a vontade necessária para elevar o meu cosmo até que seja possível superá-lo, monstro.
– Belas palavras, cavaleiro, mas apenas falar não é o suficiente para me derrotar. Logo você descobrirá que foi deixado aqui para morrer enquanto Marangatu segue adiante com seus amiguinhos. E ele deve saber que acabarei com você e irei atrás dele! Ahahaha!!
Enquanto sua risada ecoa pelo local, Caio de Teju Jagua se lança contra o cavaleiro de prata desferindo-lhe um soco energizado muito potente no peito. Asterion é arremessado até uma das paredes da caverna, chocando-se violentamente contra esta. Ele sente como se seus pulmões quase tivessem sido despedaçados e, com sangue escorrendo pela boca, parece prestes a recuperar o equilíbrio após o impacto quando percebe a intenção do inimigo em acertá-lo com um gancho de esquerda em seu rosto. Asterion, porém, não consegue se desviar do ataque e é lançado dezesseis metros para o lado, tombando fora da caverna.
“Por mais que eu consiga ler seus pensamentos e saber o que ele vai fazer, a superioridade de sua velocidade não permite que eu me esquive ou tente um contra-ataque. E isso anula qualquer vantagem que eu poderia ter”, Asterion pensa enquanto se levanta com certa dificuldade, ainda tonto por causa do último soco de Teju Jagua. Pelo chão, de onde recebeu o golpe até o local em que caiu, percebem-se estilhaços da tiara da armadura de Cães de Caça brilhando em meio à relva salpicada de sangue do cavaleiro.
Caio também sai da caverna da Montanha Guaíra, indo na direção de Asterion. Apesar de a armadura de Teju Jagua ser predominantemente marrom, seus detalhes verdes refletem a luz do sol de forma tão intensa que o cavaleiro de prata precisa proteger seus próprios olhos com as mãos.
– Você parece surpreso, cavaleiro. Esperava menos de um dos descendentes de Tau? É verdade que, ao contrário do “vovô”, eu não sou uma reencarnação de um ser mitológico. Mas, uma vez que o espírito de Teju Jagua me escolheu como seu portador, seu poder, ou cosmo, como vocês chamam, todas as suas memórias de combate e todas as técnicas que possuía foram automaticamente incorporados por mim. Além desta armadura maciça, é claro – Caio se aproxima de Asterion, olhando-o por cima, do alto de seus 1,94 metros. – Me enfrentar é como enfrentar o próprio Teju Jagua e, como Marangatu mesmo contou a vocês, foi preciso que um deus parasse o tempo para que o filho mais velho de Tau e Kerana fosse morto. Um deus! O que você pensa que pode fazer, então, cavaleiro?
– Enfrentar e vencer deuses faz parte da rotina dos defensores de Atena – Asterion responde encarando o oponente. – E você sabe que monstros não são nada perto dos deuses – desfere um soco contra Caio, que apenas segura sua mão com total facilidade, empurrando o cavaleiro para trás em seguida.
– Ahahaha! É difícil acreditar que guerreiros do seu nível possam ter derrotado deuses. Ou, então, as divindades gregas não merecem a fama que possuem. Sua própria Atena, por exemplo, pelo o que ouvi dizer é uma adolescente extremamente dependente de seus cavaleiros. Foi sequestrada duas vezes recentemente, como uma simples garotinha! Será preciso que um macho vá até a Grécia para fazer com que a sua deusa virgem aprenda a ser uma mulher de verdade?!
– Miserável!! Vai pagar por sua blasfêmia contra Atena! – Asterion berra furioso enquanto seu cosmo se eleva rapidamente, ultrapassando em muito o seu nível padrão.
Em uma fração de segundo, ele salta e ataca o guerreiro de Kerana com um chute aéreo. Caio se desvia e contra-ataca com um soco que mira as costas do cavaleiro, porém, este lê a mente do inimigo e consegue evitar que o golpe o acerte em cheio, sendo atingido apenas de raspão na barriga.
– Evitou parte do impacto do meu soco... – os olhos arregalados de Caio revelam sua total surpresa. – Pelo visto a raiva é o combustível do seu poder, cavaleiro. Mas o que aconteceu agora foi um golpe de sorte; você ainda não é veloz o bastante para desviar completamente dos meus ataques! E mesmo que seja capaz não terá como me atingir, pois a técnica Apoena (Vista Boa) não deixa nenhuma brecha para que isso seja possível!
– É o que veremos! – Asterion ameaça, intensificando ainda mais seu cosmo e partindo para cima do oponente. – Million Ghost Attack (Ataque de um Milhão de Fantasmas)!!
Graças à Apoena (Vista Boa), Caio consegue observar Asterion se movendo bem lentamente em sua direção e se prepara para desviar de seu chute quando, subitamente, nota que o cavaleiro de prata parece ter se multiplicado no ar. Cercado por vários “Asterions”, o brasileiro tem dificuldade para se desviar de todos os ataques, mas consegue fazê-lo quando decide saltar para trás, pousando novamente perto da entrada da caverna.
– Disse que seu nome é Asterion, certo? Você é um guerreiro bem interessante... Quem sabe eu não coloque em seu túmulo “O homem que quase atingiu Teju Jagua”. Quase, pois, como eu disse antes, por mais que se esforce você não conseguirá fazer isso, cavaleiro.
– Eu não estaria tão convencido disso se fosse você. Para escapar deste ataque você precisa olhar em trezentos e sessenta graus para poder enxergar todas as minhas duplicatas. Você escapou desta vez, mas à medida que meu cosmo se expande isso ficará cada vez mais difícil. Assim que eu tocar o sétimo sentido e atacá-lo na velocidade da luz você não terá mais como evitar o meu golpe Million Ghost Attack (Ataque de um Milhão de Fantasmas)!
– E será que você vai conseguir atingir o sétimo sentido, cavaleiro?! – Caio debocha. – E por falar em técnicas, seria ridículo se a Apoena (Vista Boa) fosse minha única habilidade, não? Há outra que quero lhe mostrar – os olhos dele começam a brilhar em um tom de marrom claro e de repente geram uma claridade extremamente intensa. – Quero ver como vai conseguir se esquivar dos meus golpes agora que está cego!
O guerreiro de Kerana se lança com um forte impulso. Seu poderoso soco vai impiedosamente em direção ao peito do cavaleiro de prata, que se desvia do ataque no último segundo, deslocando-se para a direita.
– Se esquivou!? Mas agora não escapa! – ele gira o corpo, tentando socar Asterion com a mão esquerda, mas novamente seu punho se perde no ar, pois o cavaleiro de prata se desvia do ataque mais uma vez, agora pulando para trás.
– Que velocidade! Como conseguiu se desviar dos meus ataques mesmo após a técnica Beraba (Brilho) ter cegado você?! – pergunta atônito.
– Cegado?! Como assim?! Ah, aquela luz que você emitiu... Foi simples evitar que aquilo me cegasse. Bastou manter os olhos fechados, Teju Jagua.
– E como você teve tempo de fechar os olhos quando percebeu a luz? Você teria que se mover mais rapidamente do que a luz... E eu sou o único que consegue fazer isso... Não me diga que...!?
– Na verdade, eu fechei meus olhos antes do clarão. Enquanto você enxerga seus adversários através de uma outra realidade, eu sou capaz de ler a mente dos meus oponentes, pois durante meu treinamento na Áustria desenvolvi a técnica do Satori (Compreensão), um estado de iluminação elevada do Budismo. Sabendo o que o inimigo vai fazer é fácil me esquivar. E o fato de eu ter conseguido desviar dos seus golpes comprova que pude me mover próximo à velocidade da luz – Asterion responde, mantendo-se em posição defensiva.
– Hm... É verdade, você quase conseguiu se mover na velocidade da luz, cavaleiro... E essa técnica de leitura mental que você possui explica porque Marangatu o escolheu para me enfrentar... Ele é mesmo esperto! Parece que terei uma boa diversão com você.
– Eu não posso perder o meu tempo lhe entretendo, Teju Jagua, porém, em uma batalha onde os dois oponentes são peritos em escapar das investidas do inimigo é difícil imaginar quando um de nós será derrotado – Asterion fala, sentindo que finalmente atingiu o nível suficiente para se igualar a Caio.
– Hahahaha! Não duvide de que posso derrotá-lo na hora em que eu quiser, cavaleiro! Apenas prefiro brincar um pouco com você antes. Não é engraçado que o cavaleiro de Cães de Caça seja a própria caça?!
– Quanto menos você leva a sério o meu potencial mais se aproxima de sua lápide. Quem sabe seu epitáfio não seja “O homem que quase derrotou Asterion de Cães de Caça”.
Caio não consegue esconder sua irritação com a frase audaciosa do cavaleiro de Atena. Aperta um pouco os olhos, raciocinando sobre o rumo que o combate tomou, e logo um sorriso nada inocente surge em sua face. Asterion lê sua mente e parece surpreso com o que descobre ali.
– Talvez você tenha razão, cavaleiro. Então, parece que tenho que me livrar logo de você antes que se torne um inconveniente, não é mesmo? É uma pena que nossa brincadeira tenha durado tão pouco. Mas, se não consigo atingi-lo e nem cegá-lo com a Beraba (Brilho), terei que lhe mostrar a minha técnica indefensável – o primogênito de Kerana concentra seu cosmo amarronzado com os dois braços esticados para os lados e as mãos abertas. Toda a montanha atrás dele estremece sob seu comando. – Se você consegue saber o que penso já deve ter percebido que não tem como escapar do meu próximo ataque!
Asterion concorda com Caio. Não há como se desviar ou repelir o golpe que o inimigo lançará contra ele em poucos instantes. O cavaleiro considera tentar passar correndo pelo inimigo e se lançar para dentro de um dos túneis que levam à Yvy Marã, mas reconhece que essa seria uma atitude indigna de um guerreiro fiel à Atena. Ele decide, então, encarar o golpe do oponente e manter sua hombridade. Agir como um honrado cavaleiro de prata e restaurar a reputação de seus antigos companheiros é o seu maior objetivo e ele não pretende desistir de sua meta, mesmo que tenha que morrer para isso.
A Montanha Guaíra continua vibrando e, de repente, ouve-se o barulho ensurdecedor de inúmeras rachaduras ao seu redor, causadas pelo cosmo violento de Teju Jagua. Rapidamente, essas rachaduras se intensificam e dão origem a muitas pedras afiadas como lâminas, de tamanhos variados, que pairam no ar ao redor da montanha. O cosmo marrom de Caio se torna terrivelmente denso e sobre ele pode-se ver a imagem de um enorme crocodilo com sete cabeças canídeas furiosas e olhos brilhantes como estrelas.
– É... Teju Jagua... Esse cosmo... Esse cosmo parece tão potente quanto o daquele cavaleiro de ouro... O cavaleiro dourado que me salvou naquela ocasião... – Asterion balbucia espantado com a repentina elevação do cosmo do oponente.
– Tome o golpe supremo de Teju Jagua!! Tocaia Itatibaqui (Emboscada de Pedras Afiadas)!! – em um movimento brusco e muito veloz que desloca grande quantidade de ar, Caio direciona seus braços para frente.
Neste momento, as pedras energizadas pelo cosmo de Caio voam em direção a Asterion e, ainda flutuando no ar, cercam-no por todos os lados. Resignado, o cavaleiro de Cães de Caça relaxa o corpo e olha para baixo, esperando o bote derradeiro de Teju Jagua.
– Morra, cavaleiro!! – Caio grita, fechando os punhos, com os braços ainda esticados. As pedras pontiagudas vão contra o corpo do cavaleiro de Cães de Caça. A primeira a atingi-lo perfura seu ombro direito.
(fim do cap. 7)
Obs 1: problemas dos mais variados tipos acabaram afastando minha criatividade deste fic. Tentei escrever algumas vezes e nada de interessante saía. Precisei resolver esses problemas e dar um tempo para me reencontrar com a história.
Obs 2: espero que o capítulo tenha valido a espera ou que pelo menos esteja bom. :)
Obs 3: obrigado a todos os que estão acompanhando a história! Comentários e críticas serão MUITO bem-vindos!!
Obs 4: "Saint Seiya – A Saga Guarani" é um fanfic, ou seja, é baseado em personagens/séries já existentes. No caso, a série e personagens de ponto de partida é Saint Seiya, criação de Masami Kurumada.
Raios de Sol!!
Schuabb *Apolo(Douko)*
sábado, 8 de agosto de 2009 às
08:26
Saint Seiya – A Saga Guarani (fic, cap. 6)
Saint Seiya – A Saga Guarani
Capítulo 6 – Mais veloz do que a luz
Após alguns minutos correndo em meio à mata tropical, Marangatu, Shiryuu, Hyouga, Shun, Ikki, Marin e Asterion chegam à montanha para a qual os cupendipes voaram. Como o líder guarani disse, ali está situada a entrada para Yvy Marã, a “Terra sem males”, o local onde Kerana, seus filhos – os sete monstros lendários – e Japeusa aguardam a chegada da noite para realizarem o ritual de libertação de Tau, a divindade que, segundo a mitologia guarani, representa toda a maldade que existe.
– Finalmente! Essa é a Montanha Guaíra, cujo nome significa “local intransponível”. Isso porque, como já sabem, ao entrarem em Yvy Marã aqueles que não conseguem controlar a própria alma estão fadados à terrível extinção absoluta – Marangatu explica, parando a cerca de trinta metros do sopé da montanha. – Felizmente, meu sensato irmão levou ao Santuário de Atena as sementes de ataendyuru. Qualquer um que se alimente delas tem livre acesso à “Terra sem males”.
– É verdade, Tumé Arandu foi bastante precavido. Faz jus à sua fama de sábio – comenta Shiryuu, que, como todos os outros, também parou de correr.
– Sim, caso contrário eu e Asterion não poderíamos seguir adiante com vocês. Seria quase impossível alcançar o oitavo sentido...
– Fale por você, Marin. Eu dominaria o oitavo sentido se só assim pudesse entrar em Yvy Marã. Não há nada que possa me impedir de avançar até que eu tenha restaurado a honra dos cavaleiros de prata. Estou disposto a morrer se preciso!
– Não é impossível, mas além de Seiya e seus companheiros, apenas alguns cavaleiros de ouro conseguiram tal proeza...
– Seiya... – Shun murmura, enquanto Asterion novamente refuta as palavras de Marin. O olhar do cavaleiro de Andrômeda transborda toda a pureza e profundidade do seu sentimento pelo amigo, que permanece em coma desde a derradeira batalha contra Hades, nos Campos Elísios.
– Não é hora para lamentações, Shun. Seiya não está aqui, mas certamente está conosco! – Ikki exclama, ao perceber a expressão triste do irmão.
A Montanha Guaíra não é muito alta, mas em sua base há uma grande abertura que leva a uma caverna de comprimento modesto. E é do interior dela que vêm outra vez os gritos característicos dos cupendipes.
– Preparem-se, cavaleiros!! – Marangatu grita e todos se colocam em posição ofensiva.
– Vamos calar esses monstros! – Hyouga fala, elevando seu cosmo gelado.
De dentro da caverna saem as dezenas de cupendipes que fugiram anteriormente. Com suas foices empunhadas, eles voam velozmente, indo em direção aos seus oponentes. Os cavaleiros, por sua vez, preparam-se para atacá-los, mas, repentinamente, Marangatu dá um passo à frente, tirando sua túnica num único e brusco movimento com a mão esquerda e bradando:
– Eles chacinaram muitos amigos meus naquela aldeia! Deixem para mim a honra de exterminar esses assassinos covardes! – fecha os olhos, braços rentes ao corpo, os punhos fechados. Seu cosmo começa a se acumular vertiginosamente, criando uma forte ventania ao seu redor. Os cavaleiros recuam um pouco mais.
Os cupendipes param em pleno ar, freando-se de repente, o que leva alguns a chocarem-se com outros. Todos aqueles índios alados compreendem a gravidade da situação. Estão diante do líder de todos os guaranis, que alcançou tal posto, como vem acontecendo repetidamente com as reencarnações de Marangatu, por ser o mais poderoso dos índios de seu povo. E ele está furioso. Os cupendipes viram-se em direção à montanha, buscando abrigo, com as faces aterrorizadas. Porém, é tarde demais; seu carrasco desfere a sentença de morte:
– Jumbeba Jurubatiba (Lugar de Plantas Espinhosas)!! – o guarani grita, levando as mãos abertas para frente.
Os cavaleiros de Atena assistem à cena com admiração e temor. E não é para menos: o cosmo esverdeado de Marangatu acaba de explodir, gerando uma descarga imensa de poder em forma de espinhos de pura energia – tão numerosos quanto os cupendipes que estão ali – que perseguem cada uma daquelas criaturas aladas. Sua técnica não se resume a um simples golpe de impacto, mas à dilaceração completa dos corpos de seus alvos, que não têm tempo para esboçar qualquer reação; são desintegrados quase instantaneamente. Chove sangue.
Marangatu olha sua túnica, manchada de escarlate, no chão, fecha novamente os olhos e fica calado, enquanto a ventania ao seu redor finalmente cessa. É óbvio para todos ali presentes que ele usou muito mais poder do que o necessário para matar os cupendipes. Pode parecer que o líder guarani possui menos auto-controle do se supôs, mas a verdade é que o fato de ter que enfrentar a própria filha, possivelmente causando a morte desta, não é uma tarefa fácil nem mesmo para ele.
– Marangatu, você está bem? – Shiryuu pergunta se aproximando, enquanto os outros ainda se mantêm afastados.
– Desculpem-me, todos vocês. Por um momento eu permiti que a ira me dominasse – ele inspira vagarosamente e abre os olhos.
– Você teve motivos mais do que suficientes para isso – Shiryuu o reconforta, colocando a mão no ombro esquerdo de Marangatu.
– Bom, então agora que eliminamos o obstáculo, vamos continuar! O tempo é curto! – Ikki ressalta.
– Sim! Não temos nem seis horas até o anoitecer! Devemos nos apressar! – Hyouga também fala.
Eles seguem para a caverna da base da Montanha Guaíra. Ao entrarem, percebem que, graças às dimensões reduzidas da caverna, ela é razoavelmente iluminada. Entretanto, no fundo dela, de frente para a saída, há três aberturas que levam a túneis totalmente escuros.
– São os três portais para Yvy Marã. Segundo a lenda, dois deles guardam terríveis armadilhas aos humanos que tentarem invadir a “Terra sem males” ainda em vida. Por isso, meu povo valoriza tanto a intuição: mesmo aqui, às portas do paraíso, é ela quem determina dentre os bravos quais são os mais dignos do paraíso.
– Então, é melhor nos dividirmos a fim de garantirmos que pelo menos alguns de nós cheguem ao outro lado. Dev...
De repente, Shiryuu cessa sua fala. Assim como ele os demais ali presentes percebem um poderoso cosmo vindo da entrada da caverna. Todos se viram rapidamente para lá e vêem um homem parado, voltado para o interior. A claridade que vem de fora cria uma sombra em seu corpo, impedindo que possam descrever seu rosto. Apenas é perceptível que ele é alto e traja uma armadura.
– Você veio mesmo acompanhado pelos cavaleiros de Atena. Pensei que o líder dos guaranis fosse menos covarde, “vovô” – o homem fala, sua voz é grave e jovial.
– “Vovô”?! Quem é você? – Marangatu pergunta.
O homem emana uma luminosidade amarronzada ao seu redor, revelando sua aparência. Além da altura elevada também é bastante musculoso. Seu rosto másculo e bem moreno, como o restante do corpo, carrega os dois olhos castanho-escuros e um leve sorriso. A armadura, marrom com detalhes verdes, reveste boa parte de seu corpo, deixando à mostra apenas o pescoço, parte dos braços e das coxas. Destacam-se no traje sete peças em forma de cabeça canídea: o capacete, as ombreiras, as joelheiras e as proteções dos antebraços.
– Não reconhece mais a família? Meu nome é Caio e represento o primogênito de Kerana e Tau – ele diz aumentando a luminosidade que gerou.
– O primogênito de Kerana... Então, você é...
– Isso mesmo, eu sou o hospedeiro do espírito e de todo o poder de Teju Jagua, o guardião das cavernas – fala com ar orgulhoso. – É verdade que eu não deveria estar aqui. Kerana nos pediu que os aguardássemos em Yvy Marã, mas eu não consegui me controlar, “vovô”. Estava ansioso demais para quebrar a sua cara e a dos seus amiguinhos. Hahahaha!
– Estava ansioso para morrer?! Vamos ver do que você é capaz! Eu sou Ikki de Fênix! – o cavaleiro se anuncia, já partindo de um impulso muito forte, com o punho alvejando o rosto de Teju Jagua, que desvia da ofensiva de Ikki sem nenhuma dificuldade e ainda acerta sua barriga com um potente soco. Fênix cospe sangue.
– Muito devagar, cavaleiro!
– Que... força... – Ikki balbucia enquanto cai de joelhos no chão.
– Ikkiii! – Shun grita, lançando instintivamente suas correntes contra o inimigo.
Caio se desvia de todas elas e dispara em direção ao cavaleiro de Andrômeda. Hyouga e Marin, porém, colocam-se entre eles e atacam Teju Jagua:
– Diamond Dust (Pó de Diamante)!!
– Ryuusei Ken (Meteoros)!!
Caio também se desvia do golpe do Cisne, mas é pego pela técnica da amazona, que vem em seguida, camuflada pelo Diamond Dust (Pó de Diamante). Aquele que porta a alma do primogênito de Kerana não se desvia de todos os raios de cosmo lançados pela amazona de Águia, mas os poucos que o acertam não lhe causam nenhum ferimento. Enquanto Hyouga e Marin estão surpresos com sua velocidade, Caio apenas para e esboça soltar uma gargalhada quando de repente salta para cima, desviando-se por pouco de outro golpe de Ikki, que o atacou pelo lado. O guerreiro de Kerana pousa no chão, próximo à entrada da caverna, com uma expressão de superioridade.
– Esse miserável... Ele é extremamente rápido! – o cavaleiro de Fênix esbraveja.
– Não apenas rápido... Ele tem reflexos incríveis! – Shiryuu observa.
– Temos que elevar nossos cosmos até o sétimo sentido e atacá-lo na velocidade da luz! – Hyouga exclama.
– Mesmo que atinjam a velocidade da luz jamais poderão me acertar mortalmente, cavaleiros!
– Eu trago comigo as lembranças de todas as minhas encarnações anteriores e me recordo... – Marangatu pronuncia. – O Teju Jagua primordial era uma criatura em forma de crocodilo com sete cabeças de cachorro. Era sabido entre as tribos guaranis que nada podia escapar de seus catorze olhos e os cinco bravos guerreiros que foram enviados para exterminá-lo não tinham como feri-lo. Para derrotá-lo foi preciso que o deus Nhamandu parasse o tempo. Só assim o mataram e selaram sua alma.
– Exatamente, “vovô”. E, como representante de Teju Jagua, eu possuo a técnica Apoena (Vista Boa), que permite que eu enxergue esta realidade através de uma outra. E lá as leis da física são bem diferentes das do nosso mundo e a velocidade da luz não é o limite. Assim, seus golpes chegam a ser entediantes de tão lentos diante dos meus olhos – os cavaleiros ficam abismados com a revelação de Caio.
– Então, só golpeando em conjunto, como quando o ataque de Marin foi lançado logo após o Diamond Dust (Pó de Diamante), poderemos acertá-lo! – Shiryuu conclui.
– Sim, vamos atacar juntos! – Ikki concorda, já passando a teoria de Shiryuu para a ação e concentrando seu cosmo alaranjado.
– Não sejam arrogantes, cavaleiros. O fato de eu ter sido atingido por uns poucos disparos da mulher foi por minha total vontade de sentir o nível em que vocês se encontram. E, aliás, descobri que não terei nenhuma dificuldade em sepultá-los aqui. Pensei que os cavaleiros de Atena pudessem me proporcionar alguma diversão, mas pelo visto só o “vovô” serve para alguma coisa. Bom, pelo menos eu espero que sirva – abre um sorriso irônico.
– Você está blefando! Não há como se desviar de nossos ataques simultâneos – Hyouga diz.
– Isso mesmo, vamos elevar o cosmo ao máximo e atacá-lo juntos! – Marin grita.
– Sim! – Shun concorda, com as correntes empunhadas.
– Não, cavaleiros! – Marangatu fala em tom de comando. – Nós não temos tempo a perder tentando atingir Teju Jagua. Não podemos ficar aqui nem mais um minuto!
– Ora, “vovô”, eu não os deixarei sair daqui sem que me derrotem. Não posso facilitar tanto a vida de vocês, né?
– Sim, eu sei disso. Só que para enfrentá-lo basta um de nós. Os outros devem continuar a jornada. Infelizmente, eu não poderei ser quem vai ficar aqui para eliminá-lo, pois tenho que guiar os cavaleiros em Yvy Marã. Porém, entre nós há o homem ideal para enfrentá-lo.
– Ah, é?! E quem seria esse azarado que você condena à morte? – Caio zomba.
– Eu, Asterion, o cavaleiro de prata de Cães de Caça – diz, saindo do lado de Marangatu, deixando seus aliados para trás e indo em direção a Teju Jagua.
Hyouga, Shun, Marin e Ikki ficam surpresos com as palavras de Marangatu: “o homem ideal para enfrentar Teju Jagua”. Mas, superando rapidamente a curiosidade, vão para junto do líder guarani e de Shiryuu para entrarem nos portais que levam à “Terra sem males” e aos próximos oponentes.
(fim do cap. 6)
Obs 1: esse capítulo traz dois grandes feitos de personagens da trupe guarani. Já era hora de revelar o nível desse pessoal, né?
Obs 2: finalmente também consegui bolar uma imagem pro capítulo 4. Confiram ali embaixo. (essas imagens são só pra ilustrar um pouco mesmo, não me matem por minha falta de técnica de edição! XD)
Obs 3: atrasei o capítulo por causa do computador (que parou de funcionar e precisou ser formatado). A princípio fiquei irritado com isso, mas esse tempo sem escrever me fez mudar vários planos pra história. Foi uma pausa imprevista mas que veio muito a calhar para eu reorganizar minhas ideias. :D
Obs 4: obrigado a todos os que estão acompanhando a história! Comentários e críticas serão MUITO bem-vindos!!
Obs 5: "Saint Seiya – A Saga Guarani" é um fanfic, ou seja, é baseado em personagens/séries já existentes. No caso, a série e personagens de ponto de partida é Saint Seiya, criação de Masami Kurumada.
Raios de Sol!!
Schuabb *Apolo(Douko)*
segunda-feira, 20 de julho de 2009 às
22:34
Saint Seiya – A Saga Guarani (fic, cap. 5)
Saint Seiya – A Saga Guarani
Capítulo 5 – A ida para Yvy Marã
– Irmão... Irmão, acorde – uma voz grave interrompe o sono do jovem.
– Hmmm – o rapaz se espreguiça na parte de trás do jipe, abrindo lentamente os olhos brilhantes. – Chegamos?
– Ainda não, Shun. Precisamos pegar um barco ainda. Está melhor?
– Sim, consegui descansar um pouco e o enjoo passou. Não se preocupe, irmão, não foi nada de mais. Deve ter sido apenas efeito do calor – responde, ainda deitado.
– Então levante-se, Shun. Shiryuu e os outros já devem estar chegando ao nosso destino. Temos que nos apressar – Ikki fala com firmeza.
A viagem deles é longa: vindos do Japão em um avião da Fundação Graad, desembarcaram em Belém, no Brasil, onde um jipe os esperava. Agora estão às margens da floresta amazônica, onde tomam um barco de pequeno porte para irem ao local combinado, o terreno de uma tribo indígena na Amazônia paraense. Quando lá chegarem, encontrarão-se com Shiryuu, Hyouga, Marin, Asterion e Marangatu e farão uma breve caminhada até a entrada de Yvy Marã, onde está o quartel-general de Kerana, como revelou Tumé Arandu no templo de Atena poucos dias atrás, após um transe telepático:
– Os espíritos dos ancestrais me disseram que Kerana refugiou-se em Yvy Marã, a “Terra sem males”, um local místico que existe em paralelo à Terra na qual vivemos. Conta-se entre os guaranis que esse outro mundo é acessível às almas dos índios que viveram de acordo com os ideais de nosso povo. Assemelha-se, assim, ao Paraíso da tradição cristã. Não posso afirmar que seja este o motivo, mas a escolha de Yvy Marã como base é muito prudente, uma vez que os homens que estão vivos só podem entrar naquele lugar se conseguirem controlar todos os fragmentos de sua alma, como o fazem naturalmente os bons índios após o sono derradeiro. Os que não conseguem fazê-lo têm sua alma estilhaçada assim que entram naquele lugar.
– Controlar a vontade alma ainda em vida? Aqui no Santuário chamamos algo assim de arayashiki, o oitavo sentido.
– Oitavo sentido? É um nome muito interessante, Atena. Se têm uma palavra para isso, devo acreditar que os seus cavaleiros possuem o... oitavo sentido?
– Nem todos, Marangatu, infelizmente. E com isso eu concluo que só poderei enviar quatro cavaleiros ao combate contra Kerana e seus filhos.
– Não se preocupe, Atena. Trago comigo uma alternativa para sanar esse problema – Tumé Arandu disse, tirando do bolso de sua túnica um saquinho de tecido bege com riscas azuis e vermelhas, fechado com uma fita branca. Em seguida, o velho índio abriu o recipiente e tirou de lá algo que muito parecia uma semente de mamão.
– Isso é...!
– Sim, meu irmão, neste saco trouxe sementes de ataendyuru, um fruto mágico capaz de manter a alma em sua totalidade junto ao corpo que lhe pertence. Para nossos olhos parecem simples sementes, mas para as almas elas são verdadeiros castiçais, iluminando o caminho certo a seguirem em meio às trevas – Tumé Arandu vira-se, então, para Atena e continua: – Basta que seus cavaleiros comam uma destas e a alma deles não será despedaçada quando chegarem a Yvy Marã.
O barqueiro para a canoa e Marangatu, Marin e Asterion desembarcam. A seguir o mesmo acontece com Shiryuu e Hyouga, que vieram em uma outra canoa. Todos, à exceção de Marangatu, carregam as urnas de suas armaduras.
– Chegamos. Não são muitos os guaranis no norte do Brasil, mas sua índole é incontestável. Nos receberão com muita festividade, certamente – Marangatu fala com olhar orgulhoso.
– Ótimo, mas eu acredito que possamos dispensar recepções. Não temos tempo para isso, Marangatu. Daqui a seis horas a noite chegará – Hyouga diz, apreensivo, com sua aspereza característica.
– Ora, jovem cavaleiro, precisaremos esperar Andrômeda e Fênix, não é mesmo? Então, é melhor aproveitarmos esses poucos instantes alegres antes da batalha.
– Esperá-los?! Ninguém da tribo pode guiá-los depois? Assim nós podemos ir na frente – Asterion sugere. – Como Hyouga mesmo falou, o tempo é curto. Temos que nos apressar!
– Seria muito arriscado invadirmos Yvy Marã agora, cavaleiros. Por mais que percamos algum tempo, devemos esperar os dois guerreiros que faltam para irmos com força total à base de Kerana. Lembrem-se de que além dela e de Japeusa os sete monstros lendários também guardam o espírito de Tau.
– E, no momento, somos apenas cinco... – Marin diz, concordando com a cautela de Marangatu.
– Isso mesmo. Compreendo a ansiedade, mas irmos agora pode resultar em um fracasso total. Shun e Ikki não devem demorar a chegar – Shiryuu fala a Hyouga e Asterion, que acabam se convencendo de que o melhor a ser feito é esperar os cavaleiros de Andrômeda e Fênix.
Os cinco guerreiros dirigem-se para a aldeia guarani. Pouco tempo depois, ao chegarem nela, Marangatu percebe um silêncio anômalo. Nem mesmo os ruídos típicos da floresta se pronunciam naquele momento. O líder guarani apressa seus passos.
– Estranho... Não há ninguém na entrada da aldeia para nos recepcionar. E todo esse silêncio...! – Marangatu fala com assombro, entrando no território da tribo.
– Bom, talvez eles já tenham ido enfrentar Kerana – Asterion diz, com algum sarcasmo, sob o olhar reprovador de Shiryuu.
– Não... não é simples assim, cavaleiro. Eu sou o líder supremo das tribos guaranis. Eles não iriam à guerra sem o meu aval, sem a permissão de seu comandante. Essa atmosfera densa... Alguma coisa aconteceu ou ainda está acontecendo aqui. Fiquem em guarda, cavaleiros! – Marangatu grita, parando de andar, ao perceber uma estranha movimentação em uma das cabanas da aldeia.
De repente, de dentro dessa cabana um grito extremamente agudo irrompe pelo ar, dilacerando o silêncio que antes preenchia o ambiente. Em seguida, pode-se ouvir o bater de muitas asas – “Isso não é o barulho de aves comuns... É um som mais oco e grave”, pensa Marangatu – e o eco de outros tantos gritos vindos do interior de todas as cabanas. Então, de dentro de cada uma delas saem voando vários homens de pele rubra com grandes asas membranosas como as de morcegos pendendo de seus braços. Carregam foices curtas, que estão em sua maioria sujas de sangue. Eles pairam no ar. São dezenas de criaturas flutuando a cerca de doze metros de altura ao redor dos guerreiros vindos do Santuário de Atena, que por sua vez ficam uns de costas pros outros, formando também um círculo no chão.
– Não posso acreditar! – Marangatu grita, mais uma vez espantado com o que seus olhos vêem. – São cupendipes! Índios amaldiçoados que vivem nas montanhas do centro-norte do Brasil! Criaturas assassinas! Como ousaram sair de seu exílio?!
– Assassinos?! O sangue... Então eles...
– Sim, Dragão! Devem ter exterminado todos desta aldeia! Miseráveis...! Muito cuidado, cavaleiros! São criaturas rápidas e mortais! – Marangatu grita, mantendo-se em posição ofensiva.
– Eles é que devem ter cuidado conosco, Marangatu! Somos os cavaleiros de Atena e vamos acabar com eles! – Asterion esbraveja, abrindo com ímpeto a urna de sua armadura, o que produz um clarão quase estelar. Poucos instantes depois ele já está trajando a armadura de Cães de Caça. – Vamos, demônios! Ataquem-me!!
Os cupendipes se entreolham e em seguida dois deles voam em direção a Asterion com as foices em riste. O cavaleiro de prata desvia-se deles com extrema facilidade, segura-os pelos cabelos atrás de si, gira seus corpos no ar e os atira contra o solo com violenta força. Os dois índios alados morrem instantaneamente quando seus crânios se chocam com a terra. As demais criaturas demonstram um misto de surpresa e revolta. Elas tornam a gritar e partem para cima do cavaleiro de prata, ao mesmo tempo em que Shiryuu, Hyouga e Marin vestem suas respectivas armaduras e se lançam ao combate, posicionando-se ao redor de Asterion. Marangatu segue com eles, mas sem armadura.
Marin salta por cima dos dois cupendipes que a atacam, gira seu corpo no ar e desfere o Ryuusei Ken (Meteoros), derrubando-os mortalmente com sua rajada de cosmo azulado. Ao pousar no chão, percebe um terceiro índio vindo do alto, caindo em cima dela com a foice mirando em seu pescoço. A amazona de Águia se abaixa, impulsiona-se com as pernas e lança-se para o lado esquerdo. O índio crava a foice no chão e enquanto tenta empunhá-la novamente recebe um poderoso soco que afunda em seu rosto, destroncando sua mandíbula. Marin, então, acerta a barriga do inimigo com seu joelho direito enquanto os punhos batem com força nas costas da criatura, fazendo com que desmaie.
– Excalibur!! – Shiryuu golpeia ali perto. O feixe de luz fatia vários cupendipes, abrindo caminho na multidão que investe contra o cavaleiro de Dragão e seus companheiros. Asterion aproveita a brecha criada pela técnica herdada de Shura de Capricórnio e se lança no meio dos inimigos, multiplicando-se entre eles:
– Million Ghost Attack (Ataque de um Milhão de Fantasmas)! – desfere, derrubando muitos cupendipes.
Enquanto isso, Hyouga está envolto com cinco das criaturas. Sem paciência, emite uma rajada de ar frio que os congela. Inesperadamente, porém, surge um sexto cupendipe por trás, abraçando sua cabeça e tapando seus olhos. O cavaleiro de Cisne segura o índio pelos braços, congelando-os completamente, e o arremessa longe. Ao se chocar contra o chão, a criatura alada tem seus braços destruídos com o impacto. Ele está jorrando sangue pelos ombros quando Marangatu toca sua cabeça com a mão esquerda emanando um intenso cosmo verde que se transfere para o cupendipe. Hyouga vê a cena com espanto, lembrando-se de que foi assim que Marangatu curou suas feridas um dia antes, no Santuário. Porém, desta vez o cosmo do líder guarani faz com que a cabeça da criatura exploda.
Os índios alados, então, voltam sua atenção para o poderoso cacique, que se mantém firme em posição ofensiva. As criaturas preparam-se para atacar quando sentem uma imensa energia escaldante vindo de fora da aldeia. É o cosmo imponente de Ikki de Fênix, que chega ao campo de batalha junto de seu irmão Shun, ambos já em suas respectivas armaduras. O cosmo incendiário de Fênix assusta todos os índios alados restantes – agora são por volta de cinquenta criaturas –, que partem em retirada desesperados, indo para uma montanha próxima, no meio da selva fora da aldeia.
– Estão indo para Yvy Marã! Vamos atrás deles! – Marangatu brada, comandando os cavaleiros de Atena.
(fim do cap. 5)
Obs 1: a saga finalmente toma os rumos que eu queria desde o princípio. Vamos às lutas!
Obs 2: desculpem pelo capítulo loooooooongo!
Obs 3: obrigado ao Omi por me apresentar aos cupendipes! Eles entraram na história de última hora, mas acredito que foram fundamentais para essa transição para o começo das batalhas principais.
Obs 4: obrigado a todos os que estão acompanhando a história! Comentários e críticas serão MUITO bem-vindos!!
Obs 5: "Saint Seiya – A Saga Guarani" é um fanfic, ou seja, é baseado em personagens/séries já existentes. No caso, a série e personagens de ponto de partida é Saint Seiya, criação de Masami Kurumada.
Raios de Sol!!
Schuabb *Apolo(Douko)*
sábado, 11 de julho de 2009 às
17:20
Saint Seiya – A Saga Guarani (fic, cap. 4)
Saint Seiya – A Saga Guarani
Capítulo 4 – A lenda do caranguejo
O cavaleiro recém-surgido sai do templo de Áries, revelando sua armadura prateada. Ele não é baixo, embora pareça ser, perto dos 1,92 metros de Japeusa. Seu cabelo verde-piscina balança suavemente com a brisa e seus olhos se mantêm fixos no invasor do Santuário. Seus olhos... Japeusa percebe que há algo de diferente em seu novo oponente. Não consegue identificar o que é, mas o olhar do cavaleiro lhe desperta uma sensação de grande desconforto.
– Meu olhar? Está invadindo a sua mente, por isso você se sente assim – ele diz a Japeusa.
– Ora... Você, soube como?
– Ouço seus pensamentos sem nenhuma dificuldade – fala, ao que o invasor arregala os olhos amendoados. – Eu sou Asterion, cavaleiro de prata da constelação de Cães de Caça! Vim com o objetivo de despachá-lo para o outro mundo.
– Meus pensamentos lê? Incrível habilidade! Mas, para me derrotar está enganado que será o bastante se acha... Na velocidade da luz que me atacar terá. E nisso os de prata cavaleiros não são bons pelo que dizer ouvi. Ahahahah! – Japeusa debocha.
– Velocidade da luz? O sétimo sentido... Se é isso o que tenho que fazer para derrotá-lo eu o farei. Não posso permitir que manche a reputação dos cavaleiros de Atena com suas mãos imundas! – brada, ficando em posição de ataque, assim como seu oponente.
Nesse momento, porém, Asterion e Japeusa sentem um cosmo se intensificando. É Hyouga. O cavaleiro de Cisne está novamente de pé, com o braço esquerdo sobre a barriga. Sua armadura está toda ensanguentada.
– Asterion, leve Marin e Shina para longe daqui. Quanto ao invasor, eu sou seu oponente – Hyouga fala com alguma dificuldade.
– Ora, ora, Hyouga. No momento, você parece precisar de ajuda tanto quanto essas duas.
– Está enganado, cavaleiro de prata. Se for mesmo capaz de ler o pensamento dos outros deve saber que estou pronto para continuar a luta. Mas preciso de toda concentração possível e tendo que protegê-los eu não conseguirei fazer isso.
– Nos proteger!? – Asterion exclama com uma fúria repentina. Recompõe-se: – Tudo bem, Cisne, faça como preferir. Levarei as amazonas para longe. Elimine o invasor aqui mesmo, pois é sua obrigação como cavaleiro de Atena. Cumpra o seu papel como tal.
– Eu sempre cumpri, Asterion. Não me escondi no Santuário enquanto meus companheiros enfrentavam Poseidon e Hades.
Asterion esboça uma resposta à crítica de Hyouga, mas é interrompido pela voz de Japeusa:
– Quem vai contra mim lutar discutir para decidir não precisam. São os dois insignificantes. Juntos lutando mesmo de vencer chances não terão – o invasor afirma, elevando intensamente seu cosmo. Atrás dele surge a forma de um imenso caranguejo.
Há muito tempo, na era mitológica, Japeusa era conhecido por ser um índio mentiroso que fazia e falava tudo ao contrário para enganar os outros. Destoando de seus irmãos, o grande líder indígena Marangatu e o sábio Tumé Arandu, Japeusa era considerado um homem desprezível.
Naquela noite fatídica, Japeusa era o único homem que não havia saído para a guerra. Afinal, Marangatu não queria em seu exército alguém tão mal visto pelos soldados. Temia inclusive que alguns destes se recusassem a lutar caso vissem que seu irmão era um dos membros da tropa. Quanto ao primogênito da família, Tumé Arandu, continuava seu retiro espiritual nas montanhas do norte. Assim, Japeusa estava em casa apenas com suas irmãs e sua mãe.
No meio da madrugada, Iracema, uma das filhas de Rupave e Sypave e irmã de Japeusa, começou a se debater, levando as mãos ao pescoço em completo desespero. Sentia sua garganta inchando cada vez mais e começava a ter dificuldade para respirar. Sypave, sem outra opção, enviou Japeusa à floresta para buscar os ingredientes necessários à elaboração de um caldo que curasse sua irmã. Japeusa parecia determinado a salvar Iracema, porém, por algum motivo – talvez a escuridão da noite ou a sonolência do índio – ele trocou alguns ingredientes e quando deu a poção para sua irmã a condenou à morte.
Ao perceber o que fez, Japeusa entrou em estado de choque, sacudindo a irmã e implorando para que abrisse os olhos novamente. As índias, que estavam reunidas na morada da família de Sypave rezando por Iracema, se uniram contra Japeusa, mas este conseguiu fugir embrenhando-se na selva. Desesperado, se sentindo culpado pela morte da irmã, o índio não resistiu e se lançou a um rio de corredeiras muito fortes.
Correu a lenda de que Japeusa acabou morrendo naquele rio e que as divindades, então, o castigaram, transformando seus restos mortais em um caranguejo, para que o índio trapaceiro sempre andasse para trás.
Japeusa está prestes a desferir seu golpe Auçá Giguaçu (Grande Machado do Caranguejo) quando um som começa a se espalhar por todo o ambiente e desconcentrá-lo. Semelhante ao farfalhar de muitas e muitas folhas, o ruído vai se intensificando e entrando na mente dos guerreiros ali presentes, incluindo Marin e Shina, já totalmente despertas. Por mais que tampem os ouvidos, à medida que o som aumenta seus corpos estremecem cada vez mais e uma sensação de angústia consome sua mente.
– Esse-se som... Ser não p-pode... – Japeusa fala, reconhecendo o poder que se manifesta ali.
– Claro que pode, meu tolo irmão. Este é o Capororoca (Selva Barulhenta), como você deve se lembrar muito bem – é Marangatu, com toda sua imponência, quem chega pela casa de Áries.
O líder guarani estica os braços para frente e em seguida os levanta, silenciando assim o som tormentoso, para alívio de todos. Em seguida, caminha até Hyouga e coloca as mãos sobre os ombros do cavaleiro de Cisne.
– Jurubeba (Planta Espinhosa Medicinal) – falando isso, suas mãos são envoltas por um cosmo esverdeado que é transferido para o corpo de Hyouga.
– Os cortes feitos com os machados... sumiram! – Hyouga exclama, surpreso e instantaneamente curado.
– Maldito! Trapaça isso é! – Japeusa grita.
– Trapaça? E quem é você para me falar em trapaça, Japeusa!? Logo você, tão vil? Você não tem moral nenhuma, irmão, mas confesso que não esperava que fosse capaz de se aliar à Kerana... Por isso está aqui, não é? Veio enviado por minha filha?!
– Hahahaha! Marangatu, razão tem! Com Kerana estou, verdade é, mas burro não sou. Enfrentá-los sozinho não pretendo, para dar um recado vim e apenas com os medíocres cavaleiros me divertindo estava.
– Um recado?! – Marangatu pergunta.
– Sim! Direto serei: a reencarnação de Porasy capturamos e na noite de lua cheia próxima a sacrificaremos.
– Porasy!? Então vocês já sabem de tudo?! – o líder guarani transborda aflição pelos olhos.
– Sim, Marangatu. A chave para o espírito de Tau libertar a alma de Porasy é. Quando mais intenso é o poder de Tau, durante a lua cheia, deve ser feito para sua libertação o ritual.
– Porasy é nossa irmã, canalha! Como tem coragem de se aliar à Kerana e tramar contra ela?
– Apenas uma reencarnação é de nossa irmã. Nós dois nem irmãos não mais somos. Inimigos agora!
– Se é assim que você quer, Japeusa, não me oporei à sua decisão. Prepare-se! – Marangatu brada, colocando-se em posição de ataque e elevando seu cosmo verde extremamente brilhante.
– Não sou burro, como falei – Japeusa, então, tira de dentro de sua túnica uma espécie de chocalho indígena bastante colorido e, ao sacudi-lo com ambas as mãos, emite um clarão e desaparece instantaneamente.
– Ele se teletransportou!? – Marin exclama, apoiando Shina.
– Covarde! – a amazona de Cobra grita, revoltada.
– Maldito seja meu irmão, Japeusa! Ele utilizou o chocalho de Nhamandu, um artefato mágico de nosso povo com a capacidade de conduzir seu portador para onde ele desejar.