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OS RAPAZES DO METRÔ 3
Os rapazes do metrô - parte 3
"Eduardo acabou de pentear seu cabelo, ajeitou a gravata, buscou algum pó pelo terno, não achou, se encarou de novo no espelho. - Você está uma graça - disse para si mesmo. Edu, como o chamava a maioria de seus conhecidos, era muito vaidoso, ainda mais em um dia tão importante como o do casamento de seu irmão Jorge, dois anos mais velho do que ele. Gastou todo o gel que ainda restava no pote de sua irmã, fazendo um penteado volumoso e inabalável - e intocável, ele garantiu ao irmão caçula, que seria o pajém da cerimônia. Ainda se questionava sobre a repentina decisão do irmão de se casar, mas Edu não ousava perguntar isto diretamente a Jorge. Ele não andava muito bem-humorado e talvez se exaltasse com questões deste fim, como costumava se exaltar com todas as questões. Edu bem conhecia o temperamento do irmão e achava que isto era fruto de um mimo exagerado recebido por Jorge durante a infância. Retirou esses pensamentos da cabeça, precisava se apressar; faltava pouco menos do qu euma hora para a cerimônia e ele deveria levar Lucas, o mais novo dos irmãos, até a igreja, perto da Praça Saens Peña. Chamou Lucas e dali a 2 minutos estavam saindo de casa. - Vamos esperar o táxi aqui mesmo, Lucas - Eduardo disse. Estavam em frente à sua casa. - Para quê?! - Lucas peguntou. - Vamos de metrô, a estação é do outro lado da rua. - Não, táxi é mais rápido e seguro - Edu falou, como se fosse tão preocupado assim. - Se formos de metrô sobra um dinheiro pra gente e nem demora tanto: daqui à Saens Penã não são nem quinze minutos. Foi só Lucas tocar no assunto dinheiro que Eduardo se animou todo a ir de metrô. Atravessaram a rua, desceram as escadas da estação, compraram os bilhetes, desceram mais escadas, correram e pegaram o metrô, que já estava saindo. O metrô entrou pelo túnel escuro, se locomovendo cada vez mais rápido. Subitamente parou. As luzes se apagaram. Eduardo ficou apreensivo, afinal, não era aquela uma boa hora para o metrô enguiçar. Lucas se aproximou ainda mais do banco onde o irmão estava, embora nada estivesse enxergando naquelas trevas que os devoravam. - Será que o metrô vai demorar muito a volatr a andar? - Não sei, Lucas - Eduardo respondeu. - Por que o metrô está tão silencioso, Edu...?! - Está? Está silencioso? - Eduardo perguntou, se dando conta de que parecia que só os odis estavam naquele vagão. - O silêncio pode calar vidas, Eduardo - era uma voz masculina, vindo do fundo do vagão. - Quem está aí?! - Eduardo gritou. - O que está havendo?! As luzes se acenderam. Eduardo olhou na direção da qual a voz estranha vinha e não viu ninguém. Ficou um instante perplexo e incapaz de qualquer coisa: o chão do vagão... Havia corpos e mais corpos caídos, ensangüentados, destroçados, cortados pelo chão. Embora etsivesse atormentado com aquilo, seu instinto fraterno foi mais veloz e, antes que entrasse em desespero, virou-se para Lucas, para tampar-lhe os olhos e impedí-lo de ver tal cena. Enquanto colocou sua mão sobre os olhos de seu irmão caçula, Eduardo o abraçou. Supunha que Lucas vira algo antes que lhe tivesse tirado a visão. Desejava mais do que saber o que estava havendo - e olhava para os lados buscando o tal homem de quem ouvira aquela voz - fazer com que Lucas não tivesse notado nada. Ficou 9, 10 segundos abraçado ao irmão, até que sentiu um líquido quente e abundante deslizar por seu braço às costas do outro. Levantou o braço e o avistou: estava cheio de sangue, mas não o dele, não sentia nada. - Lu... Lucas...?! - murmurou temeroso. Lucas nunca mais abriu os olhos."
(Continua...) Hummm... Bom, é isto!! Até o próximo capítulo!! ^_^ (com sono, sem assunto e pensando na morte da bezerra)
"Assuma quem você é, ou não seja ninguém."
Raios de Sol!!
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OS RAPAZES DO METRÔ 2
Os rapazes do metrô - parte 2
"Ainda consegui acompanhar o ritmo de Jorge por algum tempo, mas logo o perdi de vista; aquele mar de pessoas atrapalhava minha busca. Gostaria de pensar que Jorge estivesse indo para a igreja, mas ele realmente estava perturbado. Logo aquele casamento o qual parecia que tomaria um rumo tão feliz... Parei em uma pracinha logo no começo da Dias da Cruz. Olhei para todos os lados, algumas vezes, mas nada do Jorge. Ele havia sumido. Eu, encharcado (não abrira o guarda-chuva para poder me locomover mais rapidamente por entre as pessoas), sentei em um banco. Não estava muito diferente dos mendigos que me rondavam olhando-me com um ar inquisidor, como de quem tem seu território invadido. Fiquei ali uns 5, 6 minutos, por aí ou sei lá, na verdade perdi completamente a noção de tempo. O fato é que me levantei depois e caminhei num ritmo lento, pés se arrastando, cabeça pesada. Sentia algo dentro de mim doendo. Não, não algo físico... Parecia que minha alma estava em situação pior do que minha aparência. Pouco depois, na segunda rua pela qual passei após sair da praça, dois rapazes se aproximaram de mim. Moreno-escuros, bonés, roupas largas. Pensei em atravessar para o outro lado da rua, mas raciocinei que isto poderia piorar ainda mais minha situação, afinal, a rua estava vazia; a concentração de pessoas só estava na Dias da Cruz, a rua principal - as ruas periféricas eram sempre semi-abandonadas. Com o casaco, tentei esconder meu cordão. Foi o que tive tempo de fazer até eles chegarem em mim. Um virou e falou, com a maior naturalidade, diante de meu rosto, que, à esta altura, deveria estar pálido: - Você tem relógio? - Sim... - disse, preferindo não mentir para não incitar nada. - Pode me dizer que horas são? - perguntou o mesmo. Aquilo foi um choque para mim. Fiquei meio paralizado, pensando no quanto eu havia sido injusto com aqueles dois. Percebi que ele me olhava de modo estranho naquele momento e me toquei de que não havia lhe respondido. - 16h43min ? eu falei avoado, ao que ele agradeceu, ainda me olhando como se eu fosse estranho (sim, o estranho, afinal, era eu). Eles se foram e eu segui caminhando, concluindo que realmente Jorge tinha razão: eu me preocupava tanto comigo que esquecia de dar uma atenção mais profunda aos demais. Já estava próximo da esquina, iria virar à direita para seguir até o ponto de ônibus na rua perpendicular. Porém, assim que cheguei à esquina, parei e vi que ambas as ruas que se cortavam estavam vazias. Senti um súbito arrepio com o vento gelado que varou meu corpo e, então, com um empurrão vindo de trás de mim, caí no chão, a cabeça bateu no asfalto e tudo ficou meio fora do foco. Olhei para cima e vi um sujeito bem claro, cabelos ruivos, vestes pretas formais. Ele aproximou o rosto de mim, falou: - Vou roubar algo de você! As coisas voltaram a ficar em foco por um instante, no qual pude ver seu rosto claramente, mas um momento depois e tudo ficou cada vez mais desfocado, até que eu perdi os sentidos e fiquei estirado pelo chão."
(Continua...) E o conto continua... Para quem prefere o Jorge, sinto por ele não estar muito presente no segundo capítulo, mas ele volta logo... Afinal, ele ainda tem que se casar (ou não...)!^_^ Esta semana foi a semana de eu conviver com "marias-vão-com-as-outras"... Decepcionante, não? Também perdi minha prova de Latim... Lálálá... Eu, relapso? Não, tive febre, mas mereço mesmo um acento. Claro, circunflexo!! O fim-de-semana promete! promete ser no mesmo nível da semana que passou!! :P Amanhã vou visitar a Vê, que fez uma cirurgia. Espero que tenha dado tudo certo para ela (no colégio já deu!). É isto, poucas palavras (no YY eu fofoco mais, podem deixar! ^_^) e muitos sentimentos!!
"Assuma quem você é, ou não seja ninguém."
Raios de Sol!!
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OS RAPAZES DO METRÔ 1
Os rapazes do metrô - parte 1
"Eu acabara de fechar meu guarda-chuva e entrar na galeria quando o vi sentado em seu novo terno preto, agitado olhando as horas. Ajeitei o cabelo - ah, este meu vício impertinente! - e caminhei apressadamente em sua direção. Ir-lhe-ia fazer uma surpresa caso não tivesse me visto chegando esbaforido. - Atrasado como sempre - foi falando seco. - Na igreja você vai esperar muito mais! - disse tentando amenizar seu humor. - Se eu me casar... Sentei no banco ao seu lado. Ele me encarava, numa mescla de irritação por meu atraso e surpresa por minha calma (aparente, devo assumir). Coloquei minha mão direita sobre seu ombro mais próximo: - Nesta noite você será um homem casado com a pessoa que escolheu - falei em tom estabelecedor. - Nem sempre as pessoas fazem as escolhas certas, Pedro. Nossa, ele havia me chamado por Pedro. Isto era tão raro de acontecer que me preocupou. - E quando você pretende decidir se vai casar ou não? - Você bem sabe que meu casamento é hoje. Que tipo de pergunta é esta?! - Calma, você tá muito estressado - disse com vagar. - Você mesmo falou há pouco que não sabe se vai se casar ou não. - E que escolha eu tenho, Pedro? - ele falou cheio de pesar. - Meu casamento é hoje! Tudo já está pronto, as pessoas já devem estar indo para a igreja! Huuuum... Nunca pensei que iria me casar na igreja... - disse balançando a cabeça. - É, você dizia que não queria nem se casar! ? eu disse sorrindo. - Pois é, mas veja só o que está prestes a acontecer - ele me falou reprovando meu humor. - As pessoas mudam mesmo. E casar é uma coisa legal, é bom ter alguém sempre por perto. - Você fala isto, mas você mesmo nunca falou em casamento. Ah, era verdade, mas como poderia pensar em me casar se... Ah, não, não poderia me casar. Não era isto, o casamento, algo próprio para uma pessoa como eu. Ainda que tivesse encontrado ótimas pessoas com as quais, penso, em outra situação me casaria muito feliz. Mas não com o rumo que as coisas tomaram... - Está distraído, Pedro? Com o quê?! Eu aqui lhe pedindo uma opinião e você aí pensando em sei-lá-o-quê! - ele falou num tom mais alto, levantando-se a seguir. - Você sempre se preocupa mais com você?! Não consegue dar um pouco de atenção para um amigo?! - Mas, Jorge, é que... - Vou para aquela merda de casamento ser infeliz com aquela merda de esposa. Casado ou não ninguém tá preocupado com o que sinto ou deixo de sentir nesta porra de vida. - Jorge! - gritei enquanto ele ia correndo para fora da galeria. Ele estava sem guarda-chuva... Seu terno chegaria em frangalhos na igreja. Levantei-me e segui atrás dele, ambos correndo, esbarrando em várias pessoas pelo caminho. Ah, o Méier sempre era muito cheio. A Dias da Cruz principalmente..."
(Continua...) Bom, o Delphos está de volta!! Agardecimentos especiais ao Dalton-Chronos! Sem ele o Del iria demorar bem mais para sair... Obrigado!! O conto aí em cima é Os rapazes do metrô e dentre os meus é o meu preferido. No antigo YingYang eu cheguei a publicar dois capítulos dele, mas com as férias do blgo a publicação do conto parou e eu não o continuei. Agora reescrevi os dois primeiros capítulos e vou dar seqüência a ele. Não tenho noção de quantos capítulos vou levar para terminar a história, mas o Delphos agora serve para isso mesmo: meus contos. Pedro e Jorge ainda vão passar por situações embaraçosas...
"Assuma quem você é, ou não seja ninguém."
Raios de Sol!!
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