Adotado no VICKYS.cjb.net © 23.11.04 às 15:38

Cansaço, fúria... Diogo Cão


Por toda minha vida sempre tive fama de bonzinho, lerdo. Não que gostasse disso, na verdade sempre detestei. Como diria um grande amigo, "sempre levava a fama de mau, só que na verdade quem sempre foi era você!". De fato, sempre preferi levar a fama [de mau], porém, se era assim e isso não me prejudicava, que continuasse.
Agora, a situação mudou, consideravelmente. Percebi que levo a tão almejada fama maligna, só que sem fazer nada, e por razões completamente nonsense! Isso está me irritando muito mais do que poderia imaginar. Tento ser justo e correto, uma boa pessoa - ao menos uma vez -, e isso não leva a nada? E o pior, sou acusado sem ao menos me aproveitar da acusação?

CHEGA!


Cansei dessa ladainha. Já que é para ser mau, serei mau, e todos aqueles que merecem minha ira, que a tenham! Me tornarei uma pessoa negra, e que assim seja.
Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 21.11.04 às 23:46

Guia espiritual 2


Guia espiritual 2 - parte 1


"Passo o meu tempo olhando estas paredes grafites, me perguntando se eu ainda estou bem. Murmuro desejos não respondidos por estas paredes de gelo do meu coração. Eu já não tenho mais a mesma paciência, a mesma crença de que tudo vai ficar melhor. Eu não sou mais um jovem menino, eu pago pelo que eu faço de mal. Espero... Espero... Cansado daquelas rimas, daqueles poemas tão doces. Espero... Você há muito tempo.
Eu não sei, eu realmente não sei o que fazer. Já tentei de tudo, já fiz todos os contatos, já usei todas as minhas cartas. Já fui ao inferno e ao céu lhe buscar, para só então perceber que você viria até mim, conforme dita nosso destino. Mas esta espera... esta espera me cansa. Me cansa muito. Estou cansado de promessas não cumpridas. Eu menti demais para mim mesmo.
Me espalho pelo sofá cinza de minha nova sala. Olho para o teto, o ventilador girando, girando... Por um momento eu fecho os olhos, aquele vento no meu rosto. Como serão seus olhos? E sua alma? Sua voz...? Poderá cantar para mim e contar histórias de seu lugar de origem? De onde será que vem? Me contasse e eu já estaria aí. Faria de tudo para cessar esta minha espera interminável. Ah, eu faria de tudo mesmo para silenciar esta angústia que bate junto de meu coração, envenenando meu sangue e minha mente.
Neste momento, para minha infelicidade o telefone toca. Na verdade já previra aquilo, e como gostaria de estar errado em minhas previsões. Estico o braço, a mão alcançando a pequena mesa-de-centro, dedilhando o fio do fone.
- Alô!? - falo, sem que outra opção me reste.
- Sem burocracias, rapaz - ele me diz com tom reprovador. - Não temso tempo para esta mazela humana.
A seguir desenvolvo uma conversa. Não me cabe agora narrá-la, nem agora e nem nunca. O que me foi dito requer sigilo absoluto, até mesmo para com o mais imponente dos homens, pois mesmo este não é digno de saber o que ouvi. Aquele homem me ligou pela segunda vez e eu não sei se um dia poderei ouvir sua voz sem que um arrepio tome meu corpo. Sua voz... É como se fosse a voz do mundo ecoando pelo corpo do homem. E eu, Felipe, sou o seu novo guia espiritual."

(Continua...)


Tá aí o "Guia Espiritual 2", continuação daquele conto que eu estava escrevendo aqui. Ele também vai ter três capítulos e vai narrar a a primeira missão de Felipe como o novo guia espiritual do "homem?". Espero que ele também não morra no final, como seu sucessor... Mas a única coisa real na vida é a morte; apesar de isto ser tão clichê, é a mais pura verdade.

"Eu sigo calando vidas..."

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 20.11.04 às 18:53

O Telefone


O telefone toca. A ansiedade toma conta de sua alma, mais uma vez. Seus batimentos cardíacos aceleram, sua respiração se torna ofegante. Mil pensamentos começam a correr sua mente. "Será que é ela? Tem que ser ela...". E atende.

"-Boa tarde, aqui é da X Telecom, o senhor estaria interessado em nosso serviço de conexão em alta velocidade? Estamos com uma superpromoção, pague ag..."
"-NÃO, OBRIGADO."

Não era dessa vez... Resolve ir até a janela, para amenizar sua preocupação. Montanhas encobertas, nuvens cinzentas no céu. Chão úmido, umidade no ar. Temperatura baixa, ao menos para os padrões daquele lugar. Caía aquela chuva fina, fazia algum tempo. Pessoas passavam, com roupas pesadas... Alguns em duplas. Outros em casais. Estes eram observados mais prolongadamente que os outros...

*traaaaaaam...*

O telefone toca, mais uma vez. Se atira na direção do aparelho, antes que pudesse pensar qualquer coisa...

"-Oi! Tudo beleza, cara? A sua irmã tá aí?"
"-Não..."

Bate o telefone do gancho. "Esse garoto idiota não desiste daquela peste...", pensa, referindo-se ao namorado de sua irmã. Um tanto quanto injusto, diga-se de passagem. No fundo, sabia que estava se comportando de uma forma muito parecida...
Resolve voltar para a janela, sua companheira de tantas tardes, tantos tempos perdidos...
Dessa vez, foca-se no céu, perde-se nas nuvens... Seus variados tons de cinza, suas diferentes alturas, diferentes formatos... Começa a devanear, imagina-se voando, cada vez mais rápido, entre as várias camadas...
Porém, sente-se estranho... Como se algo estivesse para acontecer, algo dessa vez realmente sério... Sente-se como tivesse levado uma paulada na nuca, e um soco no estômago, ao mesmo tempo. Fica tonto, quase desmaia... Cai no chão, se levanta logo após.
Olha apressadamente a janela. Percebe que o nível de luminosidade caiu repentinamente. E continua a cair. As nuvens se tornam cada vez mais cinzenas. Como o prelúdio do apocalipse. Vê um relâmpago, uma forte chuva começa a cair...

*traaaaaaaaaaaam...*

Se assusta, vai correndo na direção do telefone. Suas mãos começam a tremer, não está com um bom pressentimento...

"-Ela morreu." - diz aquela voz sombria, que há tempos lhe assombrava...
"-NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!!!!"


(continua...)
Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 19.11.04 às 19:50

Sem inspiração


Sinto-me sem inspiração. Não tenho inspiração para absolutamente nada. Nem para postar (para viver). Sinto uma vontade desgraçada de postar (de viver), porém não sei o quê (como)...
O que me irrita mais é que não me sinto nem bem, nem mal. Detesto quando fico nesse estado de "nada", sinto-me vazio, inútil, imprestável... Paralisado, estático... Como se nada do que pudesse fazer fosse mudar minha conjuntura. E, se nada pode me fazer mudar, o que posso fazer então?!?
Quero me sentir eufórico, com zilhões de pensamentos indo e vindo, ao mesmo tempo e o tempo todo, quero sentir meu coração bater descontroladamente, quero agir sem pensar, cometer burradas e depois rir da minha própria cara. Quero sair dessa letargia sufocante presa em minha alma... Quero viver!

Mas, como? É a pergunta que não quer calar...

Bem, ao menos consegui postar. Antes tinha duas dúvidas - agora só falta uma...
Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 17.11.04 às 18:05

Vidas falaciais


É tão fácil se ferir, se magoar, se deprimir e depois jogar tudo nas costas dos outros. Cada um é responsável por suas mazelas, por seus prêmios. Cada um só tem aquilo que merece, aquilo que plantou e aquilo pelo que lutou. Cada um, antes de mais nada, é cada um. E só quando cada pino deste sistema espiritual estiver equilibrado o sistema poderá evoluir. A evolução de cada um pelo todo, para que o todo evolua. É isso ou nada.
Todos bem conhecem a ciclicidade deste sistema. Tudo vai e volta e você acaba encarando uma mesma coisa sob diferentes ângulos, o que, alé de ser um ótimo aprendizado, é algo divertido. Hoje percebi que tem uma hora em que você tem que parar de correr atrás de certas pessoas. Isso cansa, tanto a você quanto a elas. As pessoas devem saber o que querem para si, devem vir atrás de você em alguma hora, ou então não perceberam o que você plantou nelas.
Na verdade, algumas pessoas parecem não dar o devido valor às outras, se sentindo mais especiais para o mundo... Ora, cada um de nós é uma coisinha tão mínima... E só acreditando nisto é que podemos deixar de ser aquele grãozinho e crescer, virar uma grande árvore; e viver, mas uma vida de verdade. Só reconhecendo o quão medíocre somos, podemos nos tornar fabulosos!
E é acreditanto em cada um que sigo vivendo por aqui, mesmo após ter cumprido minhas missões "donásticas". Todas as pessoas são dignas de serem conhecidas, de serem estudadas, ensinadas e todas elas têm algo a ensinar; se achamos que tem alguém que passou pela nossa vida sem nos ensinar nada a culpa foi nossa de não termos captado o aprendizado ou mesmo percebido o que aprendemos em silêncio.

O Sol que entra por meus olhos
Expande toda a minha alma
Imersa em vácuos de sorrisos
Afogados em gritos de silêncios.

As trevas que me adormecem
São meros momentos oníricos
De alguém que no vazio da noite
Berra seu nome de espírito.

A vida cessa seu julgar
E a morte cessa seu descanso,
E, eterno, o terno sorri.

Porque da vida se levou
À morte quase tudo - o nada,
Que descansa em falácias.


Porque algumas vidas são feitas de momentos de nada.

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 16.11.04 às 02:18

Guia espiritual - parte final


(continuando...)

Aceito minha condição com facilidade; é nosso segundo encontro e não vejo porque não ser o último.
- Posso ver seu rosto? ? peço a ele.
- Você ver meu rosto... ? ele murmura ? não é algo que você tenha permissão e nem mesmo merecimento de fazer.
Eu me aproximo e me ajoelho na poça sob o homem, ela já se estende por todo o mundo que, inundado, cessa seu respirar. Toco seu rosto e o ergo devagar.
- Não cometa tal pecado ? ele diz, sério.
- Eu aceitei tudo, eu fiz tudo que me pediu. Eu executei suas ordens, executei aqueles dois que tanto o perturbavam. Por que não realizar este meu último desejo...?!
Ele, enfim, ergue o rosto. Seus olhos cor-de-mel penetram por minha alma e devoram-me por inteiro. Minhas feridas se abrem, minha mente se contorce, eu me debato pelo chão. Junto minhas forças e olho o seu rosto.
- VOCÊ?! ? eu grito, pasmo ao reconhecê-lo. ? Você é o mesmo que...
- Eu sou aquele que pisa pelo mundo assim como você, mas que não pode ter seu caminhar previsto. Eu sou aquele que ordena, você é aquele que obedece. Eu sou aquele que é o céu dos homens, o inferno das almas e o cárcere dos espíritos, você é aquele que os guia por um caminho que eu escolhi. Você é o destino, eu sou aquele que não crê em destinos. No meu mundo, você é aquele que não deve existir, uma falácia no sistema, um erro abismal que deve ser corrigido quando a hora chegar...
- Quando a hora chegar...?
- Ou seja, agora.
O homem fecha os olhos por um instante para re-abrí-los a seguir, quando, com apenas um olhar, me faz deixar de existir neste plano, jogando minha alma pelo vácuo da escuridão que é a morte. Meu corpo vai tombando pela terra, folhas vão caindo de árvores, a chuva vai lavando tudo, vai levando as folhas, meu corpo... Antes de abandonar esta visão sinto uma ínfima felicidade. Tudo que começa um dia acaba. Mesmo os astros espaciais um dia se vão, mesmo o universo um dia deixará de existir. O que espero...? Que aquele homem um dia também se vá... Afinal, como me disseram os sonhos:


Havia uma garota e ela está morta,
Mas respirando o ar dos vivos continua;
Trazendo ao mundo suas mazelas,
Destruindo o que há de bom e puro,
Juliana e as alvas noivas seguem
Pelo Rio Maldito do Juízo Final,
Onde o sangue dos mortos corre
E o sangue dos vivos, fervente, ebule;
Rumando para o embate derradeiro
Em que o Sol se acenderá uma vez mais
Antes de o Tártaro tomar a Terra
E de os espíritos se extinguirem.


(fim)


Sexta-feira eu vi "Os esquecidos"! Pensei que acabaria sem vê-lo, mas, voi là, eu vi! É muito bom, o melhor do estilo que já vi, pois toma rumos bem inesperados. Aliás, neste fim-de-semana eu vi n-filmes: "Como se fosse a primeira vez" (final inesperado, mas tôsco), "O exorcista" (terror interessante, mas hoje já batido), "Identidade" (que eu já tinha visto e recomendo) e "Pânico na floresta" (é... coolZINHO). Filmes de terror são mesmo trolhas... Ou eu sou frio demais para esse tipo de coisa...
Se vi tantos filmes foi por estar na casa do Kaworu - CVCK ataca novamente! -, desde sexta-deira, diga-se de passagem... A Vê (ou Veverr) se uniu ao bando e vai passar sua terceira noite aqui (a câmera digital dela foi muito útil!^_^). _Bem-vinda, Vê!_
A Escorpiona (minha mãe) me deu o cd da trilha sonora do Homem-Aranha 2! Happy, happy, happy!! Como sempre, de prima eu não curti muito, mas a tendência é eu gostar mais conforme for ouvindo outras vezes. ^_~
Bom, é isso. Como viram, o conto que eu vinha publicando aqui acabou neste post. Os próximos contos só no Delphos, que já já estará no ar.

Tudo bem, afinal, o deus do Sol está aqui.

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 13.11.04 às 14:56

Aquele que não sabe viver


Perdido no tempo, perdido sem tempo, lá está ele. A vida passa correndo por sua frente, e nada ele faz. Tantas possibilidades, tantas opções, e será que nenhuma o satisfaz? Tantas pessoas, que vêm e vão, morrem e vivem, somem e aparecem, e será que nenhuma realmente faz diferença? E mesmo que faça, será que ele tem como saber?

Cansado, lá está ele. Cansado de apenas sobreviver e não viver, cansado de falsos sorrisos, falsos rostos felizes, falsas certezas. Falsos humanos.
Ou será que ele, por não ser humano, que é o falso? Será que algum dia ele terá suas respostas?
Nada que é bom dura para sempre...

"We can hope
For the future
But there may not be one..."

Chronos







às 01:25

A fatídica tarde


Estou estranho. Me sinto anormalmente bem! Fazia tanto tempo que não ficava assim, tranquilo, calmo... Como se todos meus problemas, sejam físicos, materiais, ou psicológicos, estivessem ido por água abaixo... Quando acontece é até de se estranhar. Não sei se foi porque, finalmente, nos últimos dois dias fiz coisas que realmente senti vontade. Não se se foi porque não cheguei perto da UERJ. Talvez porque tenho falado com pessoas que não via fazia bastante tempo... Realmente não sei. Sei que por mim fico assim por muuuuuito tempo... Porém, tudo que é bom dura pouco...

Dream Theater - A Change of Seasons

(...)
O vento ardente e tórrido daquela fatídica tarde de verão maltratava seus olhos, suas peles. Um cheiro de sangue, agravado pelo calor, tomava conta do ambiente. E, finalmente, lá estavam.

- É, menos uma possibilidade...
- Menos uma vida...
- Será que este é o destino de todos que nos cercam?
- Este ainda não havia nos cercado. Era uma possibilidade, uma vida perdida futilmente... Como tantas outras...
- Ainda assim, ele não está mais neste mundo.
- Sim, não está.
- É justo que tantos sofram, tantos abandonem suas vidas, e morram, apenas para que alcançemos nosso objetivo?
- Não, isso não é justo. Porém, é necessário. Esta é nossa missão, e deve ser cumprida não importa como. Além do mais, todos que morreram por nós logo renascerão, almas especiais como as deles não ficam muito tempo afastadas desse plano...

[o silêncio prevalece por alguns instantes]

- Vamos logo, antes que mais sangue seja derramado...

E deixam o local, silenciosos e pensativos...
Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 12.11.04 às 01:48

Talvez o dia amanheça novamente


(continuando...)

Meus pés já estão molhados, há uma poça sob mim. A chuva cai, a terra molha, o sangue escorre, as lágrimas transbordam... Há uma poça sob mim... Meu espírito está manchado com esta lama que carrego desde há muito tempo. Minha vida está fadada a um destino que não foi por mim escolhido, mas, sim, a mim entregue de forma abrupta, covarde, corrupta. Estou corrompido pela maior das mazelas: a dúvida. Duvido de mim, de minha missão para com esta Terra. Me pergunto se há a necessidade de eu guiar as gotas da chuva, o perambular do vento, o sofrimento... Me pergunto se era este o momento, afinal, e se era eu a "pessoa" certa; e a resposta é não.
Não sou eu.
Não agora.
(...)
Me levanto do banco. As árvores já não são tão grandes. A poça sob mim me chama, mas eu resisto. Passo a passo eu percebo que devo caminhar, antes de mais nada. Tenho que tentar ao menos um caminho, ou me arrependerei, eu sei. Sendo assim, não me resta nada a não ser seguir em frente...
A chuva gelada me lava do sangue que estava por todo o meu corpo. Os ferimentos demorarão dias para cicatrizarem-se. Mas não sei se tenho este tempo todo por aqui. O vento parece cortar cada entranha de meu corpo roto, porém, sigo assim, fatiado.
Subitamente, percebo que o ar pesa ao meu redor e que isto não é obra de meu ardor inflamado. Volto meu pescoço enquanto observo o vento mudar seu rumo. Vejo, sentado no banco, o homem. Um sobretudo cinza-plúmbeo, cabelos negros e curtos, cabeça abaixada. Suas vestes se confundem com o céu às suas costas. Aquele homem realmente parece ser parte do céu. Uma nuvem desgarrada, um anjo de asas negras. Meu assassino e redentor.
- Seu tempo está acabando - o mundo fala através do homem. - Pode sentir este cheiro...?
- Eu sabia que este momento era inevitável - respondo.

(continua...)


Ontem, dia 12/11, foi proveitoso. Eu, Diogo e Raphael fomos à UFRJ, visitar a Inês, minha irmã pseudo-mais velha. Acabei conhecendo também o Nedy e revendo a Letícia, que estudou comigo no colegial. Nunca tinha estado na UFRJ. Posso dizer que é maior do que eu imaginava e que é melhorr do que eu imaginava. Ainda assim prefiro a UERJ; é mais perto, posso ir a pé (e isto em muito me agrada). Em todo caso, tirando o calor forte, o dia foi interessante (principalmente a visita ao "Anatômico", onde ficam corpos e partes de corpos de pessoas e outros bichos).

Rodando o mundo e chegando a outro assunto, algo me motiva às escuras. Me sinto animado com tudo, meio que observando e querendo saber sobre tudo. Fatidicamente vejo coisas antigas ruírem, coisas novas se estruturarem e eu a observar este vai-e-vem de tudo, tudo e tudo. Às vezes me sinto meio tonto com isso, mas voi là. Como disse no negrito, só posso seguir. Seguir com meus segredos, minhas dúvidas, meus anseios. Seguir sem perguntar o porquê do porquê, porque isto também cansa. As dúvidas devem reconfortar a alma, não desmantelar a mente. "Coitadinho..."

Neste fim-de-semana talvez eu venha a conhecer pessoas novas, rever antigas, reconsiderar coisas e pessoas, desconsiderar outras tantas. Começar amizades, desfazer laços, pois como diz um poema meu:
"Nossos laços são escassos
São nossos largos abraços;
Não existem mais."

Mas como eu mesmo sei, não se faz uma vida de "talvez". Porque assim como hoje eu sou do bem, talvez amanhã seja do mal.

Cada momento é único... Até que se repita ao mesmo tempo.

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 8.11.04 às 02:02

Amoras



Toques de amora


Com o Sol, a Vida entra
E com a vida ela se vai
Murmurando a palavra lenta
Se despedindo com o vento

Deixando de lembrança
Suaves toques de amora
Risos que escapam da boca
Sonhos de verdade outrora

Pela capela, gravando
Por mim, sua bela estória
Santificado, rezando

Desfazendo destinos
Apagando sua memória
Com o badalar dos sinos


Sim, o post é só isso. Precisava postar este poema que acabei de fazer. I loved it!

Raios de Sol
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 7.11.04 às 23:51

Jogos


As pessoas passam, as horas passam, o vento passa e as folhas farfalham com ele, assim como minha vida se reverbera com elas, estas pessoas singelas que se perdem em memórias com o tempo e que se vão com o vento de outrora para longe, já pelo horizonte a se despedir.
Quanto a mim, continuo aqui, sentado. Volta e meia deixo de observar o murmurar das árvores sobre mim e olho para os lados, esperando que o tempo volte, que as folhas regressem aos galhos de origem, que todos possam retornar a seus lares vivos, que minha vida rume novamente pelo caminho dos sonhos, onde meus objetivos são os meus destinos, onde meu coração é meu guia. Reviver estes dias nunca vividos... É o que espero neste instante em que a chuva começa a cair...
Sigo esperando afagos e abraços não dados, esperando conhecer locais já conhecidos e retornar aonde nunca fui antes. Desbravar corações imaculados, reconhecer amigos em rostos de estranhos, pois quem não é estranho nesta Terra de ninguém - ou de um homem só - em que se paga para comer e que se sobrevive a cada dia, no mais distante possível do conceito de vida? Quem pode ser como gostaria em condições tão adversas? Quem consegue ser normal, ser humano? Este monstro que Deus criou e que solenemente a Ele e ao mundo se opôs. Ainda posso sentir o eterno carinho divino por minah alma, mas o mundo cessa seus prazeres e se abre vingativamente sob mim, me levando aos piores infernos - os da psíque humana.
"Porque a Terra é o inferno de outro lugar", já dizia um certo autor, e os seres humanos o tornam cada vez mais e mais infernal, dia após dia, noite após noite; e lágrima após lágrima esta chuva vai caindo, esta Terra vai chorando e eu vou observando o trajeto do vento, bem como o trago do mundo e dos espíritos que já se foram e que agora esperam a hora de regressar para ceifar estas vidas não-vividas, estes momentos lindos e inexistentes de que nossas lembranças se constroem.

(continua)


Tá, eu sei que o texto estava chegando em uma parte mais interessante, mas por hoje paremos por aqui. Já me glorifico por ter escrito tanto (não quantitativamente) com tantas pessoas pelos arredores.
Hoje o dia foi divertido de certo modo. É engraçado ver as mesmas pessoas jogando do mesmo modo. Inconscientemente quase todos jogam com os outros em prol de si mesmo, com um mórbido prazer. Eu, que me julgo de vez em quando um pretenso inimigo da humanidade, percebo que os humanos curtem se ferir mutuamente. E sempre do mesmo modo. Desculpem-me alguns por humilhá-los neste dia, mas seus joguinhos já são conhecidos por mim de tempos passados. É até engraçado que ainda consigam enganar alguém depois de tanto tempo e de tanto repetirem seus atos. Estou aqui rindo disso tudo e garantindo que, se acham que estão novamente me enganando, enganam-se vocês. Apenas vou deixar este jogo correr e apostar em alguns peões. É incrível, quanto mais acho que a humanidade vem evoluindo cada vez mais, mais percebo que ela regride.

Lembrem-se: um leonino nunca entra em um jogo para perder.

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 6.11.04 às 02:26

Tarde...


A suave brisa de verão acariciava seu rosto. Mais um dia quente, e mais uma vez ali ele estava, esperando. Apenas esperando. Esperando o quê? Esperando quem? Esperando por que, por quanto tempo? Isso ele não sabia dizer, sabia dizer apenas que tinha que esperar. Sentia isso. E nada poderia fazê-lo mudar de idéia...


Ultimamente tenho me sentido muito bem. Principalmente nos últimos dois dias. Estou me recuperando de meus males de saúde desta semana, creio que por ter finalmente dormido, depois de muito tempo, e me alimentado direito. Mas o mais incrível, é que também me sinto bem psicologicamente. Fazia tempo que não me sentia tão despeocupado. Não que antes estivesse profundamente preocupado com alguma coisa, mas tinha algumas pequenas preocupaçõezinhas. Também meu pseudo-senso de revolta com tudo a meu redor tem diminuído. Não sei se é melhor assim, pois assim acabo, bem ou mal, pensando menos que antes. E pensar me é necessário, principalmente nas condições atuais. Afinal, a chuva cai, continua caindo e nos molha, nada podemos fazer contra essa poderosa força da natureza... Por enquanto...


Um bafo quente e infernal queimava seu rosto. Começou a ter a igualmente conhecida sensação de que havia algo errado. Sempre que a tinha, sabia que era hora de ir. Mas dessa vez, era diferente. Era muito mais forte. Assustado, olha em volta. Não vê nada...
... até que sente um ardor em seu peito. Um ardor como nunca havia sentido antes, como se tivesse sido transpassado por algo muito quente. Cai no chão, tudo fica preto. Porém, ainda não perdeu completamente a consciência, consegue ouvir alguma coisa...

- Aqueles dois nunca conseguirão falar com mais este. Onde será a próxima missão?
- [...]
- Okay. Estou indo pra lá. *beep*

Ouve passos, ficando cada vez mais distantes... Se sente cada vez mais distante também - aos poucos perde os sentidos que ainda lhe restam. Até que não resta mais nenhum.

Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 4.11.04 às 19:08

Cálculo I


Quinta-feira, 9h03 da manhã. Estou um lixo. Com sono, cansado, sem me alimentar direito, com dor de cabeça, olhos ardendo, garganta inflamada, e ainda resfriado. Mas não tenho do que reclamar: tenho feito tudo por minha vontade. Praticamente me tornei uma entidade virtual, passei o feriado inteiro na internet, e como se não bastasse, ainda fui nos últimos dias durante a madrugada. E tem sido assim por pelo menos umas três semanas. Realmente, eu mereço. Devo concordar com meus pais, realmente estou precisando de um descanso. Por isso, tentarei me afastar um pouco disso aqui... Mas será que conseguirei?

- Nota 1: são 9h05 da manhã, estou tendo aula de Cálculo I [pela segunda vez, diga-se de passagem]. Estou estudando a "Regra de L'Hospital"... acho que realmente estou precisando de um... rs
- Nota 2: são 9h35, mesma aula... Estou com uma vontade desgraçada de tomar suco de laranja... com mel! Que coisa bizarra! Ou então a vitamina de banana com laranja e mel da dona Rose... que delícia!!!
- Nota 3: são 9h37, mesma aula... Tava pensando... Preciso de uma despedida também. Se nosso amigo Apolo tem seus "Raios de Sol!", eu quero uma! Mas não aquela "Que o Tempo esteja com vocês", ela é muito tosca e falida, como diriam algumas pessoas...rs
- Nota 4: comentário do professor [Hamilton - UERJ] para uma aluna: "Estuda logo de uma vez pra se livrar dessa merda logo!" [referindo-se à própria cadeira].
- Nota 5: são 9h42, mesma aula... Eu realmente estou prestando atenção...

- Nota 6: são 19h08, Horário Brasileiro de Verão [que merda... detesto horário de verão...]. Esse texto deveria ser postado após a aula de cálculo, no laboratório do meu instituto, o IME. Só que tava cheio... E depois da "nota 5", a aula se tornou mais interessante, linearidade até que é uma matéria divertida...
Chronos







às 01:17

O segundo grande pecado de um deus


Eu posso dizer que cometi dois grandes erros na vida. Do primeiro alguns poucos sabem. Do segundo só mesmo eu e Deus. O primeiro me perseguiu durante anos. Já o segundo mal me amedronta. Estou forte e ficando cada vez mais, amadurecido e amadurecendo cada vez mais. Tirarei a poeira de meu terno, pegarei minha mala e seguirei em frente, com os pecados guardados onde possa ver para não voltar a cometê-los.
Minha fraqueza é a de todos os leoninos, ou seja, o coração. Não o "shinzo" _coração físico em japonês_, mas o "kokoro" _coração nos entido poético/sentimental em japonês_. Antes de ser o deus do Sol, o cara cheio dos dons que quer mudar as ordens deste sistema imposto por l'entitié, antes mesmo de ser esta luta entre Felipe e Rafael (e o primeiro é...), antes de ser uma pessoa tão contraditória, sou um sentimental que devassa a vida pelos sentimentos do ambiente que gira ao seu redor. Sou uma pessoa sensível, me preocupo com os sentimentos e o sentimentalismo das pessoas. E isto não é bom. Pelo menos a partir do momento que me tira do caminho pelo qual meu espírito optou seguir. Eu sou esta pessoa sentimental, que tenta pisar no terreno dos humanos e dos deuses ao mesmo tempo. Mas chega uma hora em que o caminho humano segue um caminho oposto ao espiritual e neste momento eu só poderei pisar em um terreno.
Talvez este momento esteja próximo... Já sinto as gotas da chuva que cái lá fora molharem meus calçados. Em breve estarei encharcado de oceanos e sangue. Tudo bem, já estou preparado. Já previ certas coisas, já sei que terei que encarar certos fatos.
Como hoje, quando encontrei a pessoa pela qual cometi o meu segundo grande pecado.

Beijos, Dani!

Raios de Sol!!
Apolo(Dôko)







Adotado no VICKYS.cjb.net © 3.11.04 às 23:28

Não sabe fazer, não faça, oras


Não sou exatamente o que pode ser chamado de pessoa boa. Adoro ironias, pessoas sarcásticas, e aprecio o valor de uma mentira bem planejada, cuidadosamente executada. Só isso já poderia ser o suficiente para alguns me chamarem de mau, e me mandarem para o inferno.
Porém, se há uma coisa que realmente detesto é quando essas coisas são mal-feitas. Não há nada piordo que uma dessas ironiazinhas bestas, que você percebe de cara que a pessoa que a fez tentou te atacar. Uma boa ironia é aquela que faz pensar, deixa você matutando aquilo, até descobrir que a pessoa estava se referindo é a você mesmo. Isso pode demorar 5 minutos, 10 minutos, 2 horas ou 3 semanas. Aliás, quanto maior o tempo, maior a qualidade da ironia. Mas é insuportável quando alguém tenta fazer isso e você percebe na hora. Dá vontade de quebrar a cara da pessoa, xingar, fazer qualquer coisa, menos pensar no que a pessoa disse. Irritante...
Outra coisa tão detestável quanto a anterior, é uma mentira mal-feita. Quando você percebe que uma pessoa mente apenas pelo modo de falar, ou pelo olhar, pelo sorriso, ou mesmo quando percebe que a pessoa sempre fala as mesmas coisas quando quer mentir para outra pessoa, e agora quer ir contra você. Parece que não sabem que a mentira é uma arte: deve ser planejada milimetricamente, executada precisamente, quase como se distorcesse a realidade. Mesmo que para isso seja preciso manipular pessoas, enganar mais humanos que o planejado inicialmente. Não importa, tudo pela arte...
Pena que há pessoas que não apreciam estas artes tão belas...
Chronos







Adotado no VICKYS.cjb.net © 1.11.04 às 20:20

Faltam 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos


Entardecer. Nuvens plúmbeas encobriam as montanhas ao Norte, um vento frio e cortante vinha daquela direção. Havia apenas aqueles dois, parados e silenciosos, olhando na direção da rua.

- É aquele carro?
- Sim, ele mesmo.

E entram no veículo que se aproxima.

- Leve-me para casa - diz aquele guiado pela luz.
- Pois não, responde o motorista.

O silêncio retorna. As nuvens parecem estar cada vez mais negras, porém o ar estático do carro substitui o vento cortante de outrora. A música ao fundo, romântica e lenta, resolve tomar conta do ambiente. Até que, mais uma vez o silêncio é quebrado...

- Será que haverão mais dias como esses?
- Não tem certeza. Nunca poderemos ter certeza - responde aquele guiado pelas trevas. - Por que a pergunta?
- Quando acontecem coisas muito boas, sempre acontecem coisas muito ruins logo após...
- É, essa é nossa sina, my friend... A chuva que cai lá fora logo irá nos molhar...

E o silêncio toma seu lugar novamente...
...
Chronos







Brevidades sobre mim:
- Rafael Schuabb / Apolo(Dôko);
- Nasci em 26/07/1985 (idade? Façam as contas, oras!^_^);
- Leonino típico, com uma lua em escorpião que me leva à loucura às vezes... Rsss;
- Moro na Cidade Maravilhosa (ainda maravilhosa sim!);
- Curso Letras Português/Japonês na UERJ e adoro minha facul!;
- Curto: escrever, desenhar, ler, mangás/animes, cultura/língua japonesa, mitologias em geral, Sol (o astro, não calor), chuva, vento, frio (momento "do mal" do perfil);
- Não curto: língua mal-falada, falta de educação, estagnação, insegurança, exibicionismo e aquelas coisas clichês, como falsidade, etc;
- Lendo no momento: "Gigantomaquia" vol.1, de Tatsuya Hamazaki; "Anjos caídos e as origens do mal", de Elizabeth Clare Prophet; "A Bíblia Sagrada", velho testamento, de diversos; "O retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde.

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